Uruguaiana registra queda de 50% nos casos de estupro e lesão corporal
Estupros, lesões corporais e ameaças tiveram queda no período analisado; feminicídio consumado não foi registrado. Créditos: Sérgio Lima/Poder360.

Os dados mais recentes divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul indicam mudanças nos indicadores de violência contra a mulher em Uruguaiana na comparação entre janeiro de 2026 e o mesmo mês de 2025.  

Três dos cinco crimes monitorados apresentaram redução, enquanto dois permaneceram estáveis. Ainda assim, qualquer número representa vidas impactadas e que o enfrentamento à violência de gênero precisa ser permanente. 

O destaque do levantamento é a redução de 50% nas ocorrências de estupro. Em janeiro de 2025 foram registrados quatro casos, enquanto no primeiro mês de 2026 o número caiu para dois. A mesma variação percentual foi observada nos registros de lesão corporal, que passaram de 22 ocorrências para 11 no comparativo anual. 

Outro indicador que apresentou retração foi o de ameaças contra mulheres. Os registros passaram de 25 para 18 casos, uma diminuição de 28%. 

Já o feminicídio tentado (quando a agressão motivada por razões de gênero não resulta em morte por circunstâncias externas à vontade do autor) manteve-se estável, com um caso registrado em janeiro de 2025 e um em janeiro de 2026. 

O feminicídio consumado, por sua vez, não teve registros em nenhum dos dois períodos analisados, conforme a SSP. 

Apesar das reduções em parte dos índices, os números não permitem acomodação. A violência doméstica é um fenômeno complexo e, muitas vezes, silencioso. 

Subnotificação  

Mesmo com a retração estatística em alguns crimes, há um alerta recorrente: a subnotificação. Nem todas as vítimas formalizam denúncia, seja por medo do agressor, dependência financeira, pressão familiar ou descrença no sistema de proteção. Isso significa que os dados oficiais podem não refletir integralmente a dimensão do problema.  

Em Uruguaiana, qualquer pessoa pode procurar a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), a Delegacia de Polícia Civil ou acionar a Brigada Militar pelo telefone 190 em casos de emergência. Também é possível buscar apoio junto à rede municipal de assistência social e aos serviços de saúde.  

Em âmbito nacional, o principal canal é o Ligue 180, central de atendimento à mulher, que funciona 24 horas por dia, de forma gratuita e sigilosa. O número 190 deve ser acionado em situações de risco imediato, e o Disque 100 também recebe denúncias de violações de direitos humanos. Denunciar é um passo fundamental para romper o ciclo da violência e garantir acesso às medidas protetivas previstas em lei.