Entidade repudiou declarações de vereadores e afirmou que o evento pode ser prejudicado

A Associação das Escolas de Samba do Primeiro Grupo de Uruguaiana (Asesgru) realizou uma coletiva de imprensa para rebater as alegações apresentadas pela vereadora Stella Luzardo Alves (União) e pelo vereador Luís Fernando Peres (PDT) durante reunião da Comissão Especial da Câmara Municipal responsável pela análise da prestação de contas dos recursos públicos destinados ao Carnaval Fora de Época de 2026. Na ocasião, Stella, que é relatora da comissão, apresentou seu relatório e seu voto pela reprovação das contas por falta de documentos.

O presidente da Asesgru, Pedro dos Anjos, contesta a alegação de que a entidade não apresentou a prestação de contas e disse que protocolou pessoalmente a prestação de contas no Poder Legislativo e na Câmara de Vereadores, no dia 4 de agosto. “O material contempla não apenas os recursos públicos repassados pelo Município, mas também demonstrativos referentes a outras fontes de financiamento do evento, incluindo recursos privados e patrocínios obtidos por meio do Governo do Estado. A documentação foi organizada em oito cadernos e disponibilizada para análise”, disse.

Segundo ele, essa prestação de contas já foi aprovada pela Comissão de Carnaval. “A gente está aqui para responder a falácias e politicagem”, disse ele. Para ele, Stella “se lixou” para os documentos apresentados pela Asesgru.

Para ele, os vereadores estão “sem a devida capacidade técnica e análise adequada” se utilizam de suas posições políticas para atacar o Carnaval de Uruguaiana e macular um dos maiores patrimônios culturais deste Estado.

Dos Anjos leu a nota emitida pela Associação manifestando repúdio e indignação às declarações, que “colocam em dúvida a idoneidade dos envolvidos na realização do Carnaval de Uruguaiana”. “Declarações dessa natureza provocam danos à imagem e à credibilidade de um evento construído ao longo de décadas, com trabalho, dedicação e compromisso de centenas de profissionais, dirigentes, integrantes das escolas de samba, trabalhadores e famílias que encontram no Carnaval uma importante fonte de renda, além de expressão cultural, identidade e pertencimento”, disse.

Ele destacou ainda a preocupação com os desdobramentos de avaliações que, segundo a entidade, desconsideram a complexidade técnica e documental envolvida na análise. “A entidade alerta, ainda, para os possíveis reflexos desse cenário na organização da próxima edição do Carnaval, inclusive quanto à segurança institucional necessária para o planejamento e a continuidade do evento. A eventual inviabilidade de sua realização representaria um prejuízo significativo para a cultura, a economia, o turismo e a população de Uruguaiana”, disse citando a nota.

Relatório

A Comissão Especial visa analisar e fiscalizar a prestação de contas referente a aplicação de recursos públicos no evento. O grupo é formado pelos vereadores Luís Fernando Pedes (PDT), a quem coube a presidência da Comissão; Stella Luzardo Alves (União), a relatora; e os vereadores Celso Duarte (PP), Lilian Cuty (Republicanos) e Adenildo ‘Bispo’ Padovan (Podemos).

A reunião, na manhã de quarta-feira, 14/10, teve como principal objetivo a leitura e a votação do relatório de Stella. O documento foi lido e a vereadora votou pela rejeição das contas dos recursos públicos por falta de prestação de contas que pudesse ser examinada. No entanto, a votação foi suspensa por um pedido de vistas (mais tempo para análise) feito pelo vereador Bispo Padovan. A análise será retomada no dia 26, segunda-feira, às 11h.

Stella alegou que a comissão só teve acesso a um material enviado pelo Poder Executivo no dia 18 de agosto, contendo apenas 18 folhas, e que este material não permite verificar a regularidade dos repasses, a aplicação dos recursos, a comprovação das despesas, o cumprimento de objetos e metas, nem os procedimentos de monitoramento e análise feitos pelo próprio Executivo. No relatório ela também lista as tentativas da comissão de obter os documentos, incluindo ofícios apontando que o material enviado tinha partes ilegíveis, com borrões, cortes e baixa resolução, e que os pedidos não foram atendidos.