A pouco mais de cem dias do fim do seu segundo mandato, o governador Eduardo Leite (PSD) avalia como positiva a gestão que conseguiu fazer a frente do Palácio Piratini. Para ele, seu principal legado foi colocar o Estado de volta a serviço da população. 

“Acho que esse é o grande orgulho. A gente mudou o assunto. Antes era ‘será que a gente pode fazer?’. O Estado não conseguia fazer o mínimo, o básico. Agora está com tudo em dia e consegue fazer investimentos”, disse ao CIDADE em entrevista nesta terça-feira, 23/9. “As pessoas legitimamente aspiram por mais, mas se dá para pensar em mais agora é porque se trabalhou muito quando tinha menos. A gente trabalhou muito aqui para que o Estado pudesse recuperar essa condição”, completou. 

Cumprindo agenda em Uruguaiana nesta terça-feira, 22/9, e quarta-feira, 23/9, Leite disse que está focado em trabalhar “até o último dia como se fosse o primeiro” e falou sobre o que considera os principais avanços. 

Educação 

Dos cinco eixos que listados por ele mesmo como prioritários para seu segundo mandato, Leite diz que a Educação é seu maior orgulho.  “Claro que tem desafios, ainda tem problemas, mas é inegável o quanto avançou”, disse. 

Ele destacou alguns dos projetos. “A gente sai de 18 escolas de tempo integral para 432 escolas com tempo integral; de cinco mil alunos que estavam no tempo integral para 50 mil; mil escolas estarão com reformas já executadas ou em andamento, que são de transformação muito profunda. Não estou falando de pequenas reformas. É R$ 1 bilhão que o Estado aplicou em obras escolares, ou seja, em torno de R$ 1 milhão por escola. Além de ter alunos uniformizados, que não havia antes, da merenda que melhorou nas escolas; da tecnologia que se aplicou com Chromebooks distribuídos para as escolas, para todos os professores”, cita. 

Outro ponto destacado pelo Governador é o avanço na aprendizagem efetiva dos alunos, que é medida no Ideb e no Enem. “No Enem, a prova do ensino médio, o Rio grande do Sul teve o melhor desempenho entre todas as redes estaduais. A melhor média no Enem, entre todas as redes estaduais de ensino, é a do Rio Grande do Sul. Então, nós somos referência, sim. Não podemos mais deixar as pessoas falarem que já foi referência; é referência em Educação”, destaca. 

Leite também fala sobre os resultados obtidos no Ideb. “No Ideb, somos o estado que mais avançou nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio. Estamos hoje na quinta posição entre os estados brasileiros no ensino médio e somos o segundo na proficiência. Ou seja, quando avalia, apenas aprova, sem considerar o fluxo escolar e a taxa de aprovação, nós somos ainda melhores. Somos a segundo melhor rede do Brasil na proficiência”, comemora. 

O Governador destacou ainda o salário em dia para professores, o pagamento do piso do magistério com os ajustes anuais, e a criação de um programa de bonificação por meritocracia, que resultará em um 14º salário para os profissionais. “Criamos um programa de reconhecimento da nossa rede de ensino, dos nossos profissionais de Educação que vai pagar um 14º salário para esses servidores na folha desse mês. Então, agora em setembro, vamos pagar a folha – que está em dia já há alguns anos – e vamos pagar uma bonificação pelo atingimento das metas. Uma boa parte das escolas atingiram as metas propostas ou integralmente ou parcialmente”, comenta. “É inegável que houve uma mudança, e o principal é que as crianças estão aprendendo mais”, finaliza. 

Segurança pública 

Em segundo lugar, Leite destacou os avanços na segurança pública. “Temos hoje os melhores indicadores, a gente conseguiu avançar muito na segurança pública. Eram apenas três Batalhão de Choque no Estado, distribuídos no Estado todo. Hoje são seis. Um deles, aqui em Uruguaiana, reconhecendo essa fronteira como ponto estratégico também no tratamento da criminalidade”, cita. 

Outros projetos destacados por Leite são as obras que voltaram a acontecer ve o aumento de efetivo nos órgãos de segurança pública. 

RS precisa de mais atenção 

Questionado, Leite falou sobre a relação com o governo federal. “A gente tem um bom diálogo com o governo federal. Tivemos no governo do ex-presidente Bolsonaro, tivemos no governo do presidente Lula também. Acho que o ponto é justamente ter a capacidade de dialogar com quem quer que esteja lá. Isso é fundamental. Todo mundo tem a sua visão ideológica, programática, mas a gente não pode deixar de pensar que todos nós somos servidores da sociedade. O cidadão que me elegeu governador, é o mesmo cidadão que elegeu o presidente da República”, disse 

Mas destacou que é preciso um dar mais atenção ao Rio Grande do Sul, que tem enfrentado desafios excepcionais, como os desafios climáticos e fiscais. “A questão da dívida, a questão demográfica também é desafiadora – a gente é um Estado que está envelhecendo mais rapidamente que outros. E a União não dirige para cá a políticas públicas que dirige para outras unidades da federação”, disse.  “Existem fundos constitucionais que são recursos da União, dezenas de bilhões de reais que todos os anos, no Orçamento da União, vão para região Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Existe política de incentivo tributário, ou seja, rebatimento de impostos do IPI ou outros impostos, que ajudam a fazer investimentos também nessas regiões. Para o estado do Rio Grande do Sul, que está enfrentando problemas climáticos severos não apenas das enchentes, mas também das estiagens que afetaram nossa produção agrícola, que tem um desafio fiscal, porque parte do nosso orçamento é consumido para pagar dívida com a União e a União não olha diferente para nós. Então o Rio Grande do Sul precisa ter melhor atenção por parte do governo central”, finalizou. 

Futuro político 

Leite disse que ainda não definiu seu futuro político e que está focado nos seus últimos três meses de governo e nas entregas que ainda pretende fazer até a conclusão do mandato. 

Nesse momento são cerca de 100, 105 dias que eu tenho pela frente e muitas demandas ainda para serem atendidas. Então a gente está com o Plano Rio Grande em andamento; estamos inaugurando obras também, entregando serviços. Temos os desafios climáticos porque tem temporais nos últimos dias e estamos falando com prefeitos em função de temporais, monitorando permanentemente isso. Isso tudo me demanda tanto que eu não consegui pensar no dia seguinte. Vou governar até o último dia como se fosse o primeiro dia do meu governo, com energia, com disposição, trabalhando pela sociedade gaúcha”, garante.