Com o anúncio da criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar a gestão do Hospital Santa Casa de Uruguaiana (HSCU), o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) se colocou à disposição do presidente do Poder Legislativo, vereador Clemente Corrêa (Podemos), para auxiliar os trabalhos do grupo. Na tarde desta quinta-feira, 8/10, o diretor jurídico da entidade, advogado Gabriel Larré, se reuniu com o Clemente.
“Por muito tempo os médicos aqui conviveram com atraso de pagamento, com calotes, com indicativos de paralisação, e com falta de condições de trabalho. Nossa preocupação é até que ponto esses supostos desvios deveriam estar indo para o pagamento de profissionais médicos, e não foram”, explica Larré
Documentos
Conforme ele, o Simers está colocando à disposição do Legislativo ofícios e demais documentos que encaminhou ao Hospital Santa Casa e à Prefeitura Municipal ao longo dos últimos anos. “Alguns desses documentos, inclusive, embasaram ações judiciais do Ministério Público. São ofícios pedindo melhores condições de trabalho, como equipamentos de proteção individual e medicamentos; cobrando a regularização de honorários. A comunicação do sindicato com o Ministério Público, tanto denúncias como comunicados, e os autos da ação na qual somos parte”, explica. Foi nesta ação civil pública que o Poder Judiciário determinou, em decisão liminar, que o hospital preste contas dos recursos públicos que recebeu – o que ainda não foi cumprido pela instituição.
Além disso, o Simers também disponibilizou sua assessoria técnica. “A gente tem consultoria econômica e contábil, que pode auxiliar, inclusive, para desmistificar um pouco a questão da inflação em saúde. Temos a assessoria jurídica, que tem a expertise de profissionais especializados na área de Direito Médico e Direito de Saúde”, explica.
Larré ressalta que no período apurado na operação do Ministério Público, os médicos conviveram com calotes frequentes, inclusive com indicativos de greve e até paralisação de serviços por falta de pagamento. “Hoje, a Santa Casa ainda está no nosso devedômetro por conta de calote aos médicos”, diz
“Nós tivemos uma série de calotes ao longo desses anos. Em 2022 tivemos uma crise gravíssima, inclusive, com o fechamento da unidade de internação pediátrica. Também tivemos uma série de desligamentos de médicos nesse período. Então nosso intuito é contribuir para elucidar esses fatos”, finaliza.
CPI
A CPI da Santa Casa foi anunciada no final da tarde de quarta-feira, 7/10, após o Ministério Público deflagrar a Operação Ouro de Tolo, que apura o desvio de recursos públicos destinos ao hospital no período de 2019 a 2024.
De acordo com o Presidente do Parlamento, o grupo irá apurar os fatos que estão sendo investigados na operação.
Operação Ouro de Tolo
A Ouro de Tolo investiga a antiga gestão do Hospital Santa Casa. A ação é coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e apura crimes de peculato, lavagem de dinheiro, corrupção, falsidade documental e organização criminosa. A ação é conduzida pelo promotor de Justiça João Afonso Beltrame, do 9º Núcleo Regional do Gaeco– Campanha.
São investigadas 11 pessoas, incluindo administradores, gestores e funcionários, além de empresas. Conforme o Gaeco, até o momento ninguem que integra a atual gestão foi implicado nos crimes.
As suspeitas são de superfaturamento de contratos, pagamentos irregulares, conflitos de interesse, destruição e ocultação de informações relevantes para a fiscalização dos recursos administrados pela entidade, especialmente em contratos e pagamentos realizados entre 2019 e 2024, período em que a instituição foi administrada pela enfermeira Thaís Aramburu e pelos administradores Newton Gonçalves e Claudinei Valim, da GV Consulting, empresa de consultoria e assessoria especializada em administração hospitalar.


