Há dez anos Santa Casa realizou primeira cirurgia ‘sem corte’

Há dez anos o Hospital Santa Casa foi pioneiro na realização de procedimentos cirúrgicos de colectomia videolaparoscópica na região. A técnica minimamente invasiva serve para retirada de tumores no intestino grosso e outras cirurgias do aparelho digestivo a partir de pequenas incisões, substituindo as cirurgias convencionais e trazendo uma série de benefícios.

O responsável por trazer a técnica ao Hospital foi o cirurgião Claudio Oltramari Conte, em 2011. “No início, em 2011, trouxemos este método como um pioneirismo para a Fronteira Oeste do RS. Hoje, podemos dizer que temos uma casuística já relativamente grande e uma das maiores do interior do Rio Grande do Sul”, ressalta.

Conte lembra que o caminho até aqui foi longo. O primeiro treinamento, ainda em animais, ocorreu na cidade de Goiânia (GO) em 2001. “Naquela época, as cirurgias laparoscópicas do intestino grosso em humanos no Brasil eram extremamente raras”. Já em 2011, começamos com um primeiro curso (Cololap) já em humanos, na cidade de Itu (SP) “, conta. Depois vieram aperfeiçoamentos com cursos no Ircad, o maior centro de treinamento em cirurgia minimamente invasiva da Amética Latina (2012), no Hospital do Câncer de Barretos (2013), e no Centro de Treinamento da Medtronic, em São Paulo (SP) (2017 e 2018). “Neste período todo, sempre nos acompanharam continuamente os colegas cirurgiões da Santa Casa Diego Kleinubing e Maurício da Fontoura, que participaram de forma ativa nestas cirurgias. Como é sempre bom lembrar, um cirurgião nunca opera, nunca faz as coisas sozinho”, completa o especialista.

Para o Cirurgião, as principais vantagens ao paciente são o menor tempo de internação; a redução do risco de infecção; redução da dor por evitar incisões maiores; menor tempo de recuperação, possibilitando que o paciente retorne mais rápido às atividades habituais, inclusive ao trabalho e à alimentação normal; e melhor resultado estético. “Há 30 anos estas cirurgias minimamente invasivas (laparoscópicas) revolucionaram e mudaram a história das cirurgias da vesícula biliar. Nestes últimos 10 – 15 anos, está acontecendo o mesmo com as cirurgias do intestino”, comemora o especialista.

Nesses dez anos, cerca de cem cirurgias destas foram realizadas no HSCU. Entre os pacientes beneficiados com a técnica está Valter Marconcini Rodrigues, de 62 anos, morador de João Arregui, no interior do município.

No caso de Rodrigues, foi retirado parte do intestino grosso – cerca de 30 centímetros – que continha um tumor maligno de 7,0 centímetros. Além de Cláudio, atuaram no procedimento o cirurgião João Henrique Conte e o anestesiologista Vinicius Porciúncula. Rodrigues diz que após a realização do procedimento, recebeu uma rápida alta hospitalar e a recuperação ocorreu de forma tranquila. “Me cuido muito – essa foi a orientação do Dr. Claudio. Mas tenho uma vida normal. Nenhuma vez senti dor, nenhuma vez senti desconforto após o procedimento”, diz.

Para a cirurgia, foram realizadas cinco punções menores de 1 cm, onde foram colocados trocáteres (tubos finos). Através deles, da introdução de uma câmera de vídeo e equipamentos especiais, toda a cirurgia foi feita dentro do abdômen do paciente. “É o que popularmente as pessoas chamam de ‘laser’. Estes equipamentos permitem a identificação da doença, a sua separação de órgãos situados ao lado, bem como a secção de todas as artérias e veias que atingem este órgão doente. Do mesmo modo, é possível anastomosar-se (emendar) as partes dos órgãos de onde a doença foi retirada, a fim de o paciente voltar a se alimentar e ter um funcionamento intestinal normal”, explica o médico. A cirurgia, realizada sob anestesia geral, demorou pouco mais de três horas. O paciente estava caminhando normalmente no dia seguinte e teve alta do hospital dois dias depois.

Conte explica que até há algum tempo, e ainda hoje realizada, esta cirurgia teria sido realizada através de um corte maior de 20 cm no abdômen do paciente, o qual só estaria caminhando normalmente três a quatro dias depois, e a sua permanência no hospital teria sido maior que sete dias.

Conte ressalta ainda que o procedimento está disponível para todos os pacientes, sejam particulares, de convênios e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). “Precisamos sempre lembrar que estas tecnologias e estas cirurgias só foram possíveis através de parceria com a administração da Santa Casa de Uruguaiana e empresas colaboradoras, terceirizadas, que sempre nos deram respaldo e condições financeiras para conseguirmos estes equipamentos especiais, de custo alto e muitas vezes de uso unitário, sendo jogado fora após a sua utilização”, finaliza.