Começou na segunda-feira, 3/8, a Campanha Nacional de Multivacinação, iniciativa do Ministério da Saúde que busca atualizar a caderneta de vacinação de crianças e adolescentes menores de 15 anos. Em Uruguaiana, a mobilização será desenvolvida pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), que promoverá ações nas unidades básicas, equipes itinerantes e datas especiais de vacinação até 1º de setembro.
A campanha tem como principal objetivo ampliar a cobertura vacinal e reduzir o risco de circulação de doenças preveníveis, como sarampo, meningite, coqueluche, tétano e febre amarela. A meta do Ministério da Saúde é imunizar pelo menos 95% do público-alvo, percentual considerado necessário para garantir a proteção coletiva.
Durante o período da campanha, equipes da Vigilância Epidemiológica percorrerão dez Estratégias de Saúde da Família (ESFs): Cidade Nova (ESF 3), São João (ESF 6), União das Vilas (ESF 7), Tabajara Brites (ESF 14), Cidade Alegria (ESF 16), Nova Esperança (ESF 17), Profilurb (ESF 18), CAIC (ESF 20), Cabo Luís Quevedo (ESF 22) e Santo Antônio (ESF 23). As datas de atendimento em cada unidade ainda serão divulgadas pela pasta.
Além das ações nas ESFs, haverá uma etapa especial de vacinação no domingo, 16/8, na Casa de Uruguaiana, antigo Restaurante da Praça, localizada na Praça Barão do Rio Branco. O atendimento ocorrerá das 9h às 13h.
Já o Dia D da campanha, marcado para sábado, 22/8, contará com funcionamento ampliado da Sala de Vacinas do Posto Central, das 9h às 17h. Nas demais unidades de saúde, o atendimento será das 7h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h30.
Durante a campanha, estarão disponíveis aproximadamente 20 vacinas previstas no Calendário Nacional de Vacinação. A aplicação será realizada conforme a idade e o histórico vacinal de cada criança ou adolescente, permitindo a atualização das doses em atraso.
A SMS orienta que pais e responsáveis levem a caderneta de vacinação e um documento de identificação da criança ou adolescente para que as equipes possam avaliar a necessidade de aplicação de cada imunizante.
Cobertura vacinal ainda preocupa
Apesar da melhora observada nos últimos anos, a cobertura vacinal em Uruguaiana permanece abaixo da meta preconizada pelo Ministério da Saúde. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o município acompanhou a queda registrada em todo o país a partir de 2016, período marcado pelos movimentos antivacina. Estratégias adotadas pelo Ministério da Saúde, como campanhas de conscientização, capacitações de profissionais e ampliação das ações de vacinação, contribuíram para a recuperação dos índices a partir de 2023. Ainda assim, a cobertura segue abaixo do percentual considerado ideal para interromper a circulação de diversas doenças.
Entre as crianças menores de um ano, os dados da SMS apontam uma recuperação expressiva dos índices vacinais em 2024. Naquele ano, Pentavalente, Poliomielite, Pneumocócica e Meningocócica atingiram cerca de 98%, enquanto o rotavírus chegou a 78% e a febre amarela a 68%.
Nos anos seguintes, porém, houve novo recuo. Em 2025, Pentavalente, Poliomielite, Pneumocócica e Meningocócica registraram aproximadamente 78%; o rotavírus, 75%; e a febre amarela, 60%. Já os dados parciais de 2026 mostram percentuais de cerca de 66% para Pentavalente, Poliomielite, Pneumocócica e Meningocócica, 68% para rotavírus e 58% para febre amarela, todos abaixo dos 95% recomendados pelo Ministério da Saúde.
Outro dado que chama atenção é o desempenho da vacina Tríplice Viral, responsável pela proteção contra sarampo, caxumba e rubéola. Neste ano, a cobertura da primeira dose alcançou 73,22% em crianças menores de dois anos, enquanto a segunda dose atingiu apenas 59,91%, distante da meta de 95%.
Sarampo
A baixa cobertura vacinal reforça a preocupação das autoridades de saúde com a reintrodução do sarampo no país. De acordo com a SMS, a presença de pessoas não vacinadas e o fluxo constante de viajantes vindos de países com surtos ativos aumentam o risco de circulação do vírus.
Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) apontam que, entre janeiro e maio de 2026, foram confirmados mais de 20,5 mil casos de sarampo na Região das Américas, incluindo 25 mortes. No Brasil, o município de São Paulo também confirmou casos da doença neste ano após diagnóstico laboratorial.
Além de provocar febre alta e manchas pelo corpo, o sarampo pode causar complicações respiratórias e neurológicas, principalmente em crianças pequenas, podendo evoluir para óbito. Segundo a Secretaria de Saúde, a vacinação continua sendo a forma mais eficaz de prevenção.
Cenário estadual
Em nível estadual, os dados da Secretaria Estadual da Saúde mostram que, em 2025, algumas vacinas do Calendário Nacional já apresentavam índices próximos da meta no Rio Grande do Sul.
A Pneumocócica registrou cobertura de 96%, enquanto a Tríplice Viral alcançou 95%. Já as vacinas Pentavalente e Poliomielite encerraram o ano com cobertura de 91%, percentual ainda inferior ao recomendado pelo Ministério da Saúde.
Vacinas do Calendário Básico
Ao nascer
-BCG (dose única);
-Hepatite B (1ª dose);
2 meses
-Pentavalente (1ª dose);
-Poliomielite (1ª dose);
-Pneumocócica (1ª dose);
-Rotavírus (1ª dose).
3 meses
-Meningocócica C (1ª dose).
4 meses
-Pentavalente (2ª dose);
-Poliomielite (2ª dose);
-Pneumocócica (2ª dose);
-Rotavírus (2ª dose).
5 meses
-Meningocócica C (2ª dose).
6 meses
-Pentavalente (3ª dose);
-Poliomielite (3ª dose);
-Influenza;
-Covid-19 (1ª dose).
7 meses
-Covid-19 (2ª dose).
9 meses
-Covid-19 (3ª dose);
-Febre amarela.
12 meses
-Pneumocócica (reforço);
-Meningocócica ACWY;
-Tríplice Viral (1ª dose).
15 meses
-DTP (1º reforço);
-Poliomielite (1º reforço);
-Tríplice Viral (2ª dose);
-Varicela;
-Hepatite A.
4 anos
-DTP (2º reforço);
-Poliomielite (2º reforço);
A partir dos 7 anos
-dT (difteria e tétano), conforme histórico vacinal.
9 a 14 anos
-HPV (dose única).
10 a 14 anos
-Dengue (duas doses).
11 a 14 anos
-Meningocócica ACWY (dose única).


