Nova variante pode causar aumento de casos e formas mais graves da doença

Identificada pela primeira vez na Índia, uma nova variante da covid-19 começou a se disseminar no Reino Unido, nos Estados Unidos e no Canadá. É a Arcturus, conhecida oficialmente como XBB.1.16. A cepa causa um sintoma até agora incomum: a conjuntivite em crianças. Tirando este, os outros sintomas são basicamente os mesmos já conhecidos pelos médicos e pela população, como febre e tosse.

Em sua última atualização, compartilhada neste mês, a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que a cepa Arcturus já era identificada em 33 países e, por causa da disseminação, os cientistas a classificaram como Variante de Interesse (VOI). Além da XBB.1.16, a outra VOI sob monitoramento é a XBB.1.5, conhecida como Kraken.

O que sabemos sobre a Arcturus?

“O perfil [da Arcturus] é semelhante às subvariantes anteriores da Ômicron”, afirma Hannah Newman, do Lenox Hill Hospital, nos EUA, para o site Healthline. No entanto, a pesquisadora destaca que uma mutação adicional na proteína Spike (S), na membrana viral, pode aumentar a sua capacidade de infecção e sua patogenicidade quando comparada com as outras cepas.

Apesar das mutações, a cepa não representa um novo risco global na concepção da OMS e nem deve ganhar o status de Variante de Preocupação (VOC) — o nível mais alto de alerta para cepas da covid-19. A última vez que alguma variante recebeu este título foi a Ômicron original, no final de 2021. Desde então, a entidade não considera que nenhuma mutação tenha provocado alterações significativas nas cepas do vírus e, por isso, todas as novas seguem sob o guarda-chuva da Ômicron.

“Tomadas em conjunto, as informações disponíveis não sugerem que XBB.1.16 tenha risco adicional à saúde pública em relação a XBB.1.5 e outras linhagens descendentes de Ômicron atualmente em circulação”, pontua a OMS. No entanto, a Arcturus pode se tornar dominante em alguns países e causar algum aumento na incidência de casos, devido a sua capacidade de escape imunológico.

Sintomas da nova variante

Na concepção de William Schaffner, professor da Vanderbilt University, nos EUA, a nova variante parece produzir, na maioria das vezes, manifestações comuns a outras cepas da covid-19. No momento, a Arcturus também não foi associada com formas mais graves da doença.

Os sintomas mais comuns são: febre alta; tosse; coriza; conjuntivite ou irritação nos olhos.

Entre as diferenças, Schaffner destaca a questão da febre ser mais alta, em média, que as outras variantes. Anteriormente, alguns pacientes podiam não ter febre — a questão de pacientes assintomáticos com a Arcturus ainda é desconhecida. “Outra coisa ainda mais distinta é que, principalmente em crianças, [a nova cepa] tem tendência a produzir conjuntivite, que é a inflamação da parte externa do olho”, afirma Schaffner. O sintoma atípico, mas não inédito, foi identificado inicialmente pelos médicos indianos, onde casos da variante surgiram primeiro.

Como prevenir?

Newman explica que “as medidas para prevenir a covid-19 permanecem as mesmas com a subvariante Arcturus”. Neste caso, os pacientes devem receber o ciclo primário das vacinas e, quando disponíveis, as doses de reforço específicas para a variante Ômicron. Além disso, o uso de máscaras em ambientes com baixa circulação de ar continua a ser uma importante estratégia de prevenção.