O que 2025 nos ensinou e o que 2026 não perdoará: a emergência climática, direitos humanos e a urgência de decisões políticas

Os dados são inequívocos. Segundo organismos internacionais, 2025 figura entre os anos mais quentes já registrados, com intensificação de eventos extremos, escassez hídrica, enchentes e crises energéticas, o que muitos sentiram no dia a dia. No Brasil, o Rio Grande do Sul ainda sente os efeitos devastadores das enchentes, enquanto a Amazônia permanece sob pressão crescente, seja pelo avanço da exploração de combustíveis fósseis, seja pelo enfraquecimento de instrumentos de proteção ambiental.

O contraste é alarmante: o país que sediou a COP 30 convive com retrocessos no licenciamento ambiental, flexibilizações normativas e decisões que colidem com o artigo 225 da Constituição Federal, que consagra o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado como direito fundamental. A distância entre o discurso divulgado e a prática interna compromete não apenas a credibilidade do Estado, mas a própria eficácia das políticas climáticas.

No cenário global, 2025 também demonstrou os limites da diplomacia climática. Metas foram reafirmadas, planos de ação renovados e compromissos reiterados, mas a implementação continua lenta, fragmentada e insuficiente. A emergência climática exige respostas imediatas, integradas e juridicamente vinculantes e não apenas declarações genéricas ou compromissos postergados.

Se pode perceber que a crise não atinge a todos de forma igual. Mulheres, pessoas com deficiência, populações indígenas e comunidades periféricas continuam expostas a riscos desproporcionais em contextos de desastre ambiental. A ausência de políticas públicas inclusivas de prevenção, adaptação e resposta revela que a crise climática é também uma crise de direitos humanos. Não há neutralidade climática quando desigualdades estruturais definem quem será protegido e quem será deixado para trás.

Paralelamente, cresce o entusiasmo com soluções tecnológicas. Inteligência artificial, cidades inteligentes e digitalização acelerada avançam sem debate consistente sobre seus impactos ambientais, consumo de água, energia e aprofundamento da exclusão social. Tecnologia sem justiça ambiental não é solução, é deslocamento do problema.

Portanto, a passagem para 2026, deve romper com apenas discursos teóricos. A esperança precisa se tornar efetivamente uma decisão política, com prioridade orçamentária e responsabilidade institucional. Exige coragem para romper com modelos insustentáveis, colocar os direitos humanos no centro das políticas públicas, respeitar os limites ambientais e assumir um compromisso efetivo com a justiça climática. Se essas escolhas não forem feitas agora, 2025 não será lembrado como o ano do debate ou das promessas, mas como mais um marco da omissão estatal diante de um colapso previsto e anunciado que poderia e pode ser evitado.