Observatório, ações e trabalho em rede marcam atuação do Cram ao longo de 2025
“Quando as políticas públicas atuam de forma articulada, conseguimos acolher melhor e prevenir situações mais graves”, afirma Tietböhl, coordenadora do Cram crédito: Thaís Vieira/Secom PMU

Ao longo dos últimos doze meses de 2025, o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (Cram) consolidou-se como um espaço essencial de acolhimento, orientação e reconstrução de trajetórias, alcançando centenas de mulheres em diferentes contextos sociais e territoriais do município.   

Segundo dados do Centro de Referência, somente no ano passado, cerca de 500 mulheres buscaram atendimento no serviço, o que representa uma média mensal de 42 usuárias. Mais do que números, esses dados refletem uma atuação contínua e descentralizada, com presença ativa nos bairros, em unidades de saúde, escolas, espaços públicos e, também, em comunidades rurais. A proposta foi levar informação, escuta qualificada e acesso a direitos até onde as mulheres estão. 

Vinculado à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Sedes), o Cram atua de forma integrada à rede de proteção do município, articulando políticas públicas voltadas à segurança, à dignidade e à cidadania feminina.  

 

Diagnóstico que orienta ações 

Um dos avanços técnicos mais importantes de 2025 foi a implementação do Observatório de Mulheres Usuárias do Cram. A ferramenta passou a sistematizar informações sobre o perfil das mulheres atendidas, considerando aspectos como idade, escolaridade, território de origem e tipo de violência vivenciada. O levantamento apontou que a violência psicológica esteve presente em 94% dos atendimentos, evidenciando uma forma de agressão recorrente e, muitas vezes, invisibilizada. 

Os dados também revelaram maior concentração de atendimentos em determinados bairros e indicaram que grande parte das mulheres possui escolaridade entre o ensino fundamental e médio. A partir desse diagnóstico, o serviço passou a direcionar ações voltadas à retomada dos estudos e à autonomia econômica. 

De acordo com a coordenadora do Cram, a advogada Juliana Tozzi Tietböhl, o Observatório qualificou o planejamento das políticas adotadas. “Ter dados concretos nos permite agir com mais precisão. Conseguimos entender melhor quem são essas mulheres, quais violências enfrentam e quais obstáculos precisam superar. Isso fortalece os encaminhamentos e torna o atendimento mais eficiente”, explicou. 

Com base nas informações levantadas, o Centro de Referência ampliou parcerias e estruturou respostas integradas. Mulheres passaram a ser encaminhadas para a Educação de Jovens e Adultos (EJA), além de terem acesso a oportunidades de emprego, oficinas de elaboração de currículo e iniciativas voltadas à independência financeira. 

Entre as ações de maior impacto está a entrega de aparelhos celulares a mulheres em situação de violência doméstica. Por meio de uma parceria com o Ministério Público, dentro do Projeto Alquimia, o Cram recebeu 20 celulares destinados a usuárias que tiveram seus aparelhos destruídos ou retidos pelos agressores, uma estratégia comum de controle e isolamento. A iniciativa garante comunicação segura com familiares, serviços de emergência e a rede de proteção, ampliando a segurança e a possibilidade de rompimento do ciclo da violência. 

Trabalho em rede e presença 

Outro destaque de 2025 foi o fortalecimento da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica (Revid), que reúne dezenas de instituições das áreas da assistência social, saúde, educação, segurança pública e sistema de justiça. A atuação conjunta possibilitou respostas mais ágeis, acompanhamento contínuo e maior proteção às mulheres em situação de risco. 

O Cram também intensificou sua atuação nos espaços do cotidiano. Esteve presente nas 23 Estratégias de Saúde da Família do município, em escolas, emissoras de rádio, eventos culturais e esportivos, além de ações nos bairros e no interior. Em agosto, durante o Agosto Lilás, o tema ganhou visibilidade com campanhas em outdoors, distribuição de materiais informativos e a realização da primeira Corrida de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, que reuniu mais de 200 participantes. 

O atendimento também se estendeu a ações de cuidado emocional e fortalecimento coletivo. Grupos quinzenais de mulheres proporcionaram momentos de escuta, apoio psicológico e atividades voltadas ao bem-estar. Em situações de maior complexidade, como casos de violência digital ou crimes praticados por ex-companheiros, as equipes atuaram de forma imediata, oferecendo orientação jurídica e acompanhamento constante, evitando a revitimização. 

Segundo a entidade, um dado expressivo reforça a efetividade desse trabalho: em 2025, não houve registro de feminicídio entre as mulheres acompanhadas pelo Cram. O resultado evidencia a importância da prevenção, do acompanhamento contínuo e da atuação articulada da rede de proteção. Ao longo do ano, o Cram esteve onde as mulheres precisaram. Nas ruas, nos serviços públicos, nas comunidades e nos espaços de convivência. Uma atuação que vai além da estrutura física e se traduz em presença, escuta e cuidado.  

O serviço funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h, sem fechar ao meio-dia, e está localizado na Rua Dr. Maia, nº 3112, 2º andar, no bairro Centro, junto à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Socia