No mês de junho, quatro dos cinco indicadores de violência doméstica monitorados pela Secretaria de Segurança Pública mostraram estabilidade em Uruguaiana. Um deles, porém, apresentou significativo aumento. Os registros de ocorrência por lesão corporal no âmbito da Lei 11 340 aumentaram 120%, passando de dez registros em junho de 2022 para 22 registros em junho deste ano.
O dado, por si, não é negativo ou significava aumento da violência contra as mulheres no município. Ele pode representar apenas um maior número de mulheres denunciando seus agressores, uma vez que sabidamente há subnotificação dos crimes relacionados a violência doméstica.
Ainda no mês de junho, as ocorrências de estupro e ameaça, assim como feminicídio e tentativa de feminicídio mantiveram estabilidade em relação a junho do ano passado. Os dois períodos registraram cinco ocorrências de estupro, 19 de ameaça e nenhuma ocorrência de tentativa de feminicídio ou feminicídio consumado.
Primeiro semestre
Já no acumulado do ano, três dos cinco indicadores apresentaram aumento.
Enquanto o número de assassinatos em razão do gênero se manteve estável, com um crime entre janeiro e junho de 2022 e um entre janeiro e junho de 2023, as tentativas de feminicídio tiveram queda de 7,14%, passando de sete para duas.
Já os estupros aumentaram 11,7%, subindo de 17 para 19 ocorrências. Os crimes de ameaça aumentaram 2,45%, passando de 163 para 167 registros em 2023. E os crimes de lesão corporal aumentaram de 117 para 165 ocorrências, representando crescimento de 41%.
Rio Grande do Sul
Em nível de Estado, no mês de junho, o cenário é de queda nos feminicídios consumados e tentados, de 45% (de 11 para seis crimes) e 5% (de 17 para 16) respectivamente. Os estupros caíram 31%, passando de 187 para 129 neste ano. Já as ameaças e as lesões corporais tiveram aumento, de 4,15% (de 2 189 para 2 280) e 17,6% (1 139 para 1 340) respectivamente.
No acumulado do ano, os feminicídios e os estupros tiveram queda. Entre janeiro e junho de 2022 foram 59 assassinatos, enquanto o mesmo período deste ano registrou 40, uma redução de 32%. Neste mesmo período, o ano passado teve 1 232 registros de estupros, enquanto este ano foram 1 183, uma queda de 3,9%.
No entanto, as tentativas de feminicídio aumentaram 9,4%, passando de 117 em 2022 para 128 em 2023. Os crimes de ameaça aumentaram 7,3%, passando de 15 715 para 16 864 ocorrências. E os registros de lesões corporais aumentaram 13,1%, passando de 8 826 no ano passado para 9 983 neste ano.

