O delegado regional de Polícia Civil Valeriano Garcia Neto, de 4ª Região Policial (Uruguaiana, Alegrete, Barra do Quaraí e Manoel Viana, na fronteira oeste) e que está à frente da Delegacia de Polícia de Alegrete, concluiu o inquérito policial que apurou a agressão sofrida por dois jornalistas na frente da DP daquele município, enquanto cobriam uma ocorrência.
O diretor do Jornal Em Questão, Paulo de Tarso Pereira, e o repórter Alex Stanrlei, foram agredidos por dois policiais militares, no dia 19 de junho. Os dois PMs foram indiciados pelo delegado por abuso de autoridade e lesão corporal. Uma oficial do Exército Brasileiro envolvida na ocorrência e que testemunhou as agressões sem intervir também foi indiciada, por omissão de socorro. A Brigada Militar também instaurou um Inquérito Policial Militar para apurar a conduta de seus policiais, ainda não concluído.
O fato
Os dois policiais militares agrediram Paulo e Alex, de 60 e 47 anos respectivamente, frente à Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) quando estes registravam a recuperação de cinco cabeças de gado furtadas do Exército Brasileiro (EB). Quando Stanrlei foi impedido de registrar imagens do caminhão militar onde o gado se encontrava, pelo soldado do EB Willian dos Santos Nogueira, por ordem da tenente veterinária Patrícia Kappaun, optou por fazer uma transmissão ao vivo destacando o trabalho da BM de Rosário do Sul, quando foi detido pelo soldado da Brigada Militar, Santo André de Freitas, que também tomou de Paulo de Tarso, diretor do jornal, o equipamento com o qual documentava a detenção do repórter. Simultaneamente, De Tarso sofreu um estrangulamento conhecido como “mata-leão”, perpetrado pelo também soldado brigadiano Marion Soares da Silva, sendo levado ao chão juntamente com o colega, que foi algemado, arrastado, chutado e pisoteado pelos policiais. Na intenção de ofender verbalmente no interior da DPPA, de Tarso também foi chamado de velho, enquanto os militares do EB a tudo assistiam, sem qualquer intervenção.
Repercussão
O caso ganhou repercussão nacional, foi noticiado nos grandes meios de comunicação do Brasil, que repudiaram as agressões contra a equipe de jornalismo. As principais instituições que congregam jornais e jornalistas do RS e Brasil, como Associação dos Jornais do Interior (Adjori), Associação Riograndense de Imprensa (ARI), além da Associação Nacional de Jornais (ANJ), da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e Associação Brasileira de Jornalistas Investigativos ( Abraji) também se solidarizaram às vítimas da truculência dos dois PMs e pediram profunda investigação, punição aos agressores e repúdio ao ato que afronta o pleno exercício do jornalismo garantido na Constituição.

