Presença do coronavírus nos esgotos cresce de acordo com a expansão da pandemia

O 2º boletim do monitoramento ambiental do coronavírus (SARS-Cov-2) nos esgotos do Rio Grande do Sul apontou uma crescente presença do vírus nas amostras de água coletadas em Porto Alegre e em pontos de Novo Hamburgo e São Leopoldo. “A evolução da positividade nas amostras na capital é coerente com a evolução da pandemia”, pontuou a chefe da Divisão de Vigilância Ambiental do Cevs, Aline Campos. O projeto é uma pesquisa do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), da Secretaria da Saúde (SES), em parceria com universidades e outras instituições relacionadas ao tema. 

Neste momento, estão sendo analisadas amostras de água de estações de tratamento e bombeamento em Porto Alegre, Novo Hamburgo, Sapucaia do Sul, São Leopoldo e Campo Bom. De acordo com Aline, a ideia é tornar este um processo de vigilância ambiental de rotina, nos mesmos moldes como já funciona com a cólera. “Resultados preliminares mostram que é possível detectar a presença do vírus primeiramente nas águas residuais domiciliares ou hospitalares, mesmo antes de aparecerem casos confirmados da Covid-19 naquele local. Quando detectamos o vírus, sabemos que ele está circulando naquela região ou bairro”, explicou.

Em estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, não foi detectada a presença de vírus potencialmente infecciosos nas amostras. Isso significa ser improvável que as pessoas se infectem com o coronavírus em contato com estas águas, levando em consideração que apenas 26% da população gaúcha possui acesso ao esgotamento urbano. Aline, ressaltou, porém, que são necessários estudos mais amplos a fim de esclarecer melhor o comportamento e sobrevivência deste vírus no ambiente.

A segunda etapa da pesquisa aponta ainda que: a) das 42 amostras analisadas até o momento, 13 (30,95%) apresentaram presença do vírus e cinco ainda aguardam o resultado.

A pesquisa

A pesquisa é inédita no Estado e conta com parceria de diversas instituições. A professora do mestrado em Virologia da Feevale e uma das coordenadoras do projeto, Caroline Rigotto, ressalta que o grupo já está trabalhando no projeto de expansão da pesquisa. “Estamos pensando em pontos estratégicos, como comunidades em vulnerabilidade social e com déficit de esgotamento sanitário”, afirma, acrescentando que a epidemiologia baseada em esgoto é uma ferramenta que foi bem aceita e, provavelmente, se estenderá a médio e longo prazos, auxiliando no monitoramento e antecedendo surtos isolados.

As análises

As amostras de água coletadas de estações de tratamento, de efluentes hospitalares e de pontos de captação de água bruta passam por análise molecular para definir a ocorrência e quantificação do RNA viral do coronavírus. Planeja-se estender o monitoramento por 10 meses, permitindo acompanhar a ocorrência e distribuição do vírus ao longo da epidemia e das diferentes sazonalidades.

Aline diz que esse estudo está em andamento também em Minas Gerais, São Paulo e em países como Holanda, Itália e Austrália. Nesses lugares também é possível apontar um aumento da presença do coronavírus nos esgotos conforme aumenta o número de casos confirmados. A realidade do Rio Grande do Sul, porém, é bem diversa desses lugares e deve ser levada em consideração na pesquisa.