Em média, 6 a cada 10 alunos que concluíram cursos de formação inicial de docentes (Pedagogia e Licenciatura) entre 2010 e 2020 fizeram educação a distância (EAD). É o que mostra um novo estudo divulgados nesta quinta-feira, 21/7, do grupo Todos Pela Educação que analisou dados do Censo da Educação Superior.
O levantamento mostra que em 2010, 231.581 pessoas concluíram cursos voltados à formação de professores. Em 2020, foram 235.055, o que representa um crescimento de 1,5% em 10 anos. Enquanto a fatia de formandos que fizeram ensino presencial (rede pública e privada) caiu, aquela referente à educação a distância cresceu 109,4% no mesmo período.
A tendência já estava em crescimento antes da pandemia de covid-19, que forçou a suspensão das aulas presenciais nas instituições de ensino superior, mas isso se intensificou entre 2019 e 2020, chegando a registrar 6 em cada 10 alunos formados em EAD.
A Todos Pela Educação considera o cenário “extremamente grave”, pois considera que o ensino a distância deveria ser uma exceção e não a principal estratégia de formação de professores no país.
“Formar professor é coisa séria. Precisa de tempo, de discussões aprofundadas sobre a docência, de vivência nas escolas, de simulações de situações reais de sala de aula. Não podemos ter essa proliferação de cursos, sem clareza sobre a qualidade da formação inicial que vem sendo ofertada”, afirmou o professor Gabriel Corrêa, líder de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, em nota lançada pela instituição.


