O Progressistas do Rio Grande do Sul definiu, nesta terça-feira, 20/1, o deputado federal Covatti Filho como pré-candidato ao governo do Estado nas eleições de 2026. A decisão foi tomada em reunião do Diretório Estadual do partido, realizada em Porto Alegre, na qual Covatti obteve 109 dos 120 votos válidos, o equivalente a 90,8% do total. No mesmo encontro, os progressistas também aprovaram, por ampla maioria, o indicativo de aliança com a direita, em articulação com o Partido Liberal (PL) e o Partido Novo.
Antes da votação, os filiados acompanharam a apresentação do balanço da gestão partidária de 2025 e os resultados de uma pesquisa interna realizada pelo Instituto Amostra. O levantamento, aplicado junto à base progressista, apontou que 74,4% das lideranças defendem uma aliança à direita, enquanto 77% preferem uma composição competitiva, em vez de uma candidatura própria isolada. Os dados reforçaram o encaminhamento político aprovado pelo diretório.
Ao comentar o resultado, Covatti Filho afirmou que a decisão expressa o sentimento majoritário do partido e declarou estar preparado para o desafio. Segundo ele, a articulação entre Progressistas, PL e Novo deverá avançar nas próximas semanas, com a definição, até meados de março, do nome mais competitivo para liderar a chapa ao Palácio Piratini. “Hoje tivemos um indicativo de aliança com o PL para candidatura ao governo do Estado. Se, em março, a gente tiver que abrir mão dessa candidatura, a gente vai. Mas agora vamos construir um plano de trabalho”, afirmou.
O resultado da reunião foi saudado pelos presidentes estaduais do PL, Giovani Cherini, e do Novo, Marcelo Slaviero, que divulgaram nota conjunta classificando a decisão como um passo importante para a construção de uma aliança de direita no Estado. No texto, os partidos afirmam receber “com grande respeito e entusiasmo” o indicativo do Progressistas e destacam a convergência de valores entre as siglas, como defesa da liberdade, responsabilidade fiscal, combate à corrupção e à criminalidade, fortalecimento da economia, valorização do agronegócio e da família.
Apesar do alinhamento político, ainda há divergências sobre a composição final da chapa. PL e Novo já haviam anunciado previamente seus nomes: Luciano Zucco como pré-candidato ao governo, e Marcel van Hattem e Ubiratan Sanderson como postulantes ao Senado. Nos bastidores, porém, progressistas afirmam que o acordo informal firmado entre Zucco e Covatti prevê que o PP indique o vice-governador e uma das vagas ao Senado, o que poderia retirar Sanderson da disputa.
A reunião do diretório estadual também deliberou pela saída do Progressistas da base do governo de Eduardo Leite (PSD). A decisão teve 91 votos favoráveis e 25 contrários. Covatti afirmou que o resultado será comunicado à bancada e às lideranças, mas sem imposição. “Pelo que conheço da história do partido, muitos progressistas vão respeitar esse caminho”, observou.
O PP tem duas secretarias no governo Eduardo Leite, além da liderança de governo na Assembleia Legislativa, a cargo do deputado Frederico Antunes.
Rachaduras
O encontro foi marcado por boicote de uma ala do partido, ligada ao deputado estadual Ernani Polo, que também se colocava como pré-candidato e defendia uma aliança com o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que deve ter o vice-governador, Gabriel Souza, como candidato. Ernani recebeu apenas oito votos, já que seus apoiadores não compareceram à reunião. Ele afirmou não ter tido tempo hábil para realizar uma campanha interna e questionou a legitimidade do encontro, que chegou a ser contestado antes de ocorrer, mas foi mantido pela presidência do partido. Polo deixou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico no último dia 13, após três anos comandando a pasta.
A maioria do diretório, no entanto, defendeu a validade das decisões. O deputado estadual Joel Wilhelm, vice-presidente do PP no RS, destacou que o diretório tem prerrogativa estatutária para definir as diretrizes partidárias. “O que a maioria decidiu precisa prevalecer”, afirmou.
Em coletiva após a reunião, Covatti foi questionado sobre como manter a unidade interna diante do boicote. “O ambiente partidário é de discussão, onde a gente tem que propiciar a livre opinião de cada um. A gente não tem adversários do outro lado. Cabe agora buscar o que nos une”, declarou.
Além da votação do diretório, o Progressistas realizou uma consulta interna com 1.227 respondentes, entre prefeitos, presidentes regionais, vereadores e vice-prefeitos. O levantamento mostrou que 56% preferem apoiar uma candidatura de centro-direita em 2026, em vez de endossar diretamente um nome indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Ainda assim, a aliança com o PL aparece como preferência dominante, com 74% de apoio, especialmente entre presidentes municipais e vereadores.
Com as decisões desta terça-feira, o Progressistas-RS dá início formal ao processo de reorganização política para 2026, reposicionando-se fora da base do governo estadual e apostando na construção de uma frente de direita para a disputa ao Palácio Piratini.
Contexto
Um manifesto divulgado antes da reunião do Diretório Estadual do Progressistas, no perfil do deputado estadual Frederico Antunes, defendeu a unidade partidária e a construção de uma candidatura própria e viável ao governo do Rio Grande do Sul. O documento ressalta que, mais do que a escolha de nomes, o que deve unir a legenda é o fortalecimento de um projeto político capaz de recolocar o Progressistas na liderança de uma proposta para o Estado.
No texto, os signatários afirmam que a defesa da candidatura própria está ancorada na história de diálogo, posicionamento firme e protagonismo político do partido ao longo dos anos. O manifesto sustenta que a discussão interna deve respeitar essa trajetória e ocorrer de forma organizada, priorizando o debate programático e o fortalecimento da legenda diante do processo eleitoral de 2026.
O grupo também solicitou formalmente à presidência estadual do partido a revisão da pauta da reunião convocada para o dia 20 de janeiro, pedindo que o encontro se limitasse exclusivamente à definição pela candidatura própria ao governo do Estado. Segundo o manifesto, não deveria haver, neste momento, deliberação sobre alianças, composições ou escolha de nomes específicos, mas não obtiveram sucesso em suas reinvindicações.
Vale lembrar que o combinado entre as bases do governo de Eduardo Leite era o apoio à candidatura do vice-governador Gabriel Souza (MDB). Inclusive, Gabriel contaria com o apoio do próprio governador em 2026, mas com a mudança de legenda partidária feita por Leite no ano passado – saiu do PSDB e foi para o PSD – ainda é uma incógnita se esse apoio irá se formalizar ou não, ainda mais com os Progressistas pulando do barco.


