Projeto “Diásporas Negras” recebe carta de apoio da 10ª CRE 
Integrantes da Cia Clandestino e do Ubuntu Produções apresentaram propostas culturais à coordenadora Alfonsina Guedes.  - Créditos: Divulgação/Projeto Ubuntu. 

Integrantes da Cia Clandestino, grupo teatral sediado em Uruguaiana, participaram de uma reunião institucional com a coordenadora da 10ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), Alfonsina Aparecida Guedes de Moura, para apresentar propostas e trocar ideias sobre iniciativas culturais voltadas às escolas públicas da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. O encontro teve como foco o fortalecimento de projetos artísticos e formativos no ambiente escolar. 

Durante a reunião, realizada na manhã desta quinta-feira, 8/1, a coordenadora Alfonsina entregou uma carta de apoio ao projeto “Diásporas Negras”, desenvolvido pelo Núcleo de Pesquisa e Criação Afro-Ubuntu – Ubuntu Produções. A iniciativa é representada pela atriz e produtora cultural Sheron Carabajal e propõe a circulação de ações culturais em instituições estaduais de ensino vinculadas à 10ª CRE, priorizando comunidades escolares localizadas em regiões urbanas descentralizadas e com menor acesso a bens culturais. 

O projeto tem caráter educativo e cultural, com atividades pensadas para o contexto escolar, buscando valorizar as culturas populares negras a partir de diferentes linguagens artísticas. Entre os elementos trabalhados estão a oralidade, a música, a culinária afro-brasileira e a cena narrativa, criando experiências de aprendizado que dialogam com a história e a identidade afro-brasileira. A proposta está alinhada à Lei nº 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Africana na educação básica, contribuindo para o letramento racial e para a promoção da diversidade cultural. 

Segundo Sheron Carabajal, a iniciativa busca reconhecer e evidenciar a importância das contribuições negras na formação da sociedade brasileira, tratando essas expressões como patrimônio cultural vivo. “É um projeto voltado às culturas populares, que amplia a visibilidade de práticas artísticas e saberes transmitidos pela música, pela palavra, pela culinária e por outras manifestações que fazem parte da nossa identidade coletiva”, destaca. 

As atividades previstas serão organizadas em três eixos principais. O primeiro, Palavra Ancestral, trabalha a transmissão de conhecimentos por meio da oralidade, do samba e da culinária, resgatando saberes tradicionais. O segundo, Palavra Urbana, aborda expressões culturais surgidas nas periferias, como o hip hop e a poesia falada. Já o eixo Palavra da Memória propõe narrativas negras encenadas, conectando história, arte e identidade. 

A realização das ações em diferentes municípios da região tem como objetivo democratizar o acesso à cultura e proporcionar uma imersão artística para crianças e jovens durante os dias de atividade. As instituições participantes ainda estão em fase de definição, e a confirmação do projeto está prevista para o mês de abril, dependendo da aprovação nos editais em que foi inscrito. 

Para o diretor da Cia Clandestino, Douglas Pereira, a carta de apoio da 10ª CRE representa um reconhecimento institucional importante no processo de tramitação do projeto. Ele explica que tanto a Companhia Clandestinos quanto o Núcleo Ubuntu e a Associação Cultural Cena Livre desenvolvem trabalhos de forma independente, muitas vezes sem recursos financeiros fixos. “Nosso sustento vem exclusivamente das artes cênicas. A gente sobrevive promovendo ações, circulando e buscando formar plateia, para que no futuro exista um público que consuma teatro, dança e circo”, afirma. 

Douglas ressalta ainda que o grupo participa de editais de fomento cultural em âmbito municipal, estadual e federal, como os vinculados aos Fundos de Apoio à Cultura, como os do Pró-Cultura RS (com editais para municípios e artistas), Ministério da Cultura (via leis como Aldir Blanc e Paulo Gustavo), e até iniciativas privadas. “A carta de apoio demonstra que a Coordenadoria tem ciência do projeto e da intenção de envolver as escolas públicas. A ideia é potente, mas tudo depende da aprovação. Seguimos acreditando e trabalhando para que ela se concretize”, conclui.