Reorganização da BM será gradual e deve ser concluída nos próximos meses 
Coronel PM Cilon Freitas da Silva explicou as mudanças na estrutura da Brigada Militar a partir da nova legislação Foto: Helena Biasi/JC 

A Brigada Militar do Rio Grande do Sul passa por uma ampla reorganização institucional que inclui a padronização das nomenclaturas das unidades operacionais e dos comandos regionais em todo o Estado. Na Fronteira Oeste, as mudanças atingem diretamente batalhões sediados em Uruguaiana e São Borja, além do próprio comando regional, como parte da implementação da Lei Complementar nº 497/2025, sancionada pelo governador após aprovação na Assembleia Legislativa. 

Em entrevista ao CIDADE, o coronel PM Cilon Freitas da Silva, a frente do Comando Regional de Polícia Militar, detalhou as mudanças previstas na estrutura da Brigada Militar a partir da nova legislação estadual. Com a padronização das nomenclaturas, o antigo 1º Batalhão de Polícia de Área de Fronteira (BPAF), sediado em Uruguaiana, passa a ser identificado como 47º Batalhão de Polícia Militar (47º BPM). Já o então 2º BPAF, em São Borja, foi reclassificado como 48º BPM, enquanto o histórico 5º Regimento de Polícia Montada, sediado em Santiago, passa a adotar a denominação de 45º Batalhão de Polícia Militar, adequando-se ao atual modelo de atuação operacional. 

A mudança não se restringe às unidades operacionais. Os antigos Comandos Regionais de Polícia Ostensiva (CRPO) também passam a adotar a nomenclatura de Comando Regional de Polícia Militar (CRPM). Na prática, tanto o CRPO da Fronteira Oeste (FO), sediado em Santana do Livramento, quanto o CRPO do Extremo Oeste (EO), sediado em Uruguaiana, deixam de existir apenas na denominação, passando a integrar oficialmente o novo modelo organizacional como CRPMs. 

Segundo o comandante regional, a principal finalidade da reestruturação é uniformizar a organização da Brigada Militar, eliminando diferentes classificações que coexistiam há anos, como batalhões de fronteira, turísticos e regimentos históricos, embora todos desempenham funções equivalentes no policiamento ostensivo. 

A padronização, conforme Freitas, busca facilitar a compreensão da população sobre a atuação da corporação e reforçar a identidade institucional da Brigada Militar como polícia militar estadual, alinhada ao modelo adotado pelos demais estados brasileiros. Apesar do nome histórico “Brigada Militar”, a instituição integra o sistema nacional das polícias militares, e a nova nomenclatura reforça essa identidade de forma mais clara e objetiva. 

Transição gradual e adaptação 

Embora a Lei Complementar nº 497/2025 esteja em vigor desde a data de sua publicação, a implementação prática ocorre de forma gradual. A Brigada Militar já iniciou a adaptação nos documentos internos, enquanto uma normativa específica deverá detalhar o cronograma completo da transição. 

“A expectativa é que, ao longo dos próximos meses, possivelmente ainda no primeiro trimestre, a nova nomenclatura esteja totalmente implantada, incluindo a atualização de inscrições, brasões, identificações visuais e materiais institucionais. As redes sociais das unidades também passarão por adequação progressiva, com a migração das nomenclaturas iniciando de forma gradual, conforme as condições técnicas permitirem”, explica o Coronel. 

Segundo o comandante, o processo exige um período de adaptação também por parte do efetivo. “As nomenclaturas acompanham a rotina dos policiais há muitos anos, e a mudança exige um tempo natural de ajuste, tanto na comunicação interna quanto externa”, destacou. 

Avanços na segurança e expectativas 

O Coronel também abordou o cenário da segurança pública na região e as expectativas para 2026, destacando os resultados positivos alcançados nos últimos anos. Uruguaiana foi classificada como a segunda cidade mais segura do Rio Grande do Sul, reflexo de um trabalho contínuo de reforço operacional e atenção estratégica do governo do Estado e do comando da Brigada Militar à região de fronteira. 

Segundo ele, a importância geográfica e logística de Uruguaiana exige uma atenção permanente, tanto para a proteção dos moradores quanto para o enfrentamento de crimes transfronteiriços. Essa atuação diferenciada tem se traduzido em reduções expressivas nos indicadores criminais, especialmente no período entre 2023 e 2025, quando praticamente todos os índices apresentaram queda. 

Entre os resultados que devem ganhar destaque nos próximos meses está o combate ao abigeato (furto de gado). Uruguaiana e Alegrete devem ser apresentadas como referências estaduais na redução desse tipo de crime durante a próxima reunião de governança com o governador, prevista para fevereiro.  

O Comandante ressaltou que os avanços não são resultado exclusivo da Brigada Militar, mas de um trabalho integrado que envolve Polícia Civil, Polícia Penal, Guarda Municipal, poder público municipal e outras instituições ligadas à segurança pública, além da participação da comunidade. “Para 2026, a expectativa é manter e ampliar os bons indicadores, especialmente diante do calendário intenso de eventos realizados na cidade, como o Carnaval, que demanda planejamento específico e reforço no policiamento ostensivo”, observa Cilon. 

Projetos estratégicos 

A criação do Comando Regional de Polícia Militar do Extremo Oeste foi apontada como um dos fatores que contribuíram para os bons resultados, ao aproximar o Comando-Geral da realidade local, agilizar a comunicação institucional e permitir respostas mais rápidas às demandas da região. 

Entre os principais desafios, o coronel destacou a violência doméstica, considerada uma das prioridades atuais. A Brigada Militar vem intensificando a capacitação de policiais para atuação na Patrulha Maria da Penha, fortalecendo a rede de prevenção e acompanhamento em conjunto com a Polícia Civil e demais órgãos. 

Outro projeto estratégico para 2026 é a implantação do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) na região. A estrutura deverá centralizar o atendimento das chamadas do 190, reduzir o tempo de resposta e permitir o despacho mais ágil de ocorrências para Uruguaiana e municípios vizinhos, como Barra do Quaraí, ampliando a eficiência do atendimento regional. 

Por fim, o comandante reforçou a importância da participação da comunidade no fortalecimento da segurança, por meio de denúncias, ações preventivas e parcerias com o poder público, como melhorias na iluminação pública, nas vias e nos espaços urbanos. O objetivo, segundo ele, é seguir reduzindo os índices de violência e consolidar a Fronteira Oeste como uma das regiões mais seguras do Estado.