A campanha Janeiro Verde reforça, em todo o país, a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de colo do útero, uma doença que ainda representa um grande desafio para a saúde pública brasileira. No Rio Grande do Sul, a situação acende um alerta: o estado figura entre os cinco com maior número de registros da enfermidade, ocupando a quarta posição no ranking nacional.
De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), cerca de 620 novos casos surgem anualmente no território gaúcho. Os números evidenciam a necessidade de ampliar ações de conscientização, garantir acesso à vacinação contra o HPV e incentivar a adesão aos exames preventivos, principais estratégias para reduzir a incidência e a mortalidade associadas ao câncer cervical.
O câncer de colo do útero costuma evoluir de forma lenta e, em seus estágios iniciais, geralmente não apresenta sintomas perceptíveis. Por isso, muitas mulheres descobrem a doença apenas em fases mais avançadas, quando o tratamento se torna mais complexo.
Segundo o oncologista Tiago Giordani Camícia, responsável técnico do Instituto de Oncologia Kaplan em Uruguaiana, a maioria dos tumores ginecológicos não manifesta sinais no início. “Grande parte dos diagnósticos ocorre por meio dos exames de rastreamento. Por isso, a realização regular do Papanicolau é essencial para identificar alterações antes que elas evoluam para um câncer”, ressalta.
O Ministério da Saúde recomenda que o rastreamento do colo do útero seja iniciado a partir dos 25 anos, especialmente para mulheres que já tiveram atividade sexual. Quando lesões pré-cancerígenas são identificadas precocemente, o tratamento é simples e altamente eficaz, impedindo a progressão da doença.
Quando diagnosticado em fases iniciais, o câncer apresenta altas chances de cura. As opções terapêuticas variam conforme o estágio da doença e podem incluir cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Em casos mais avançados ou metastáticos, a imunoterapia surge como avanço importante, ao estimular o próprio sistema imunológico a reconhecer e combater as células tumorais.
Camícia destaca ainda a importância da abordagem multidisciplinar. “Cada paciente deve ter seu caso avaliado por uma equipe composta por diferentes especialistas. Esse cuidado integrado permite definir o tratamento mais adequado para cada situação”, afirma.
A unidade da Oncoclínicas em Uruguaiana conta com profissionais de diversas áreas da oncologia, oferecendo atendimento especializado, acolhimento e cuidado integral às pacientes da região.
Prevenção começa antes do diagnóstico
A infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV) é apontada como a principal causa do câncer de colo do útero. Trata-se de um vírus sexualmente transmissível extremamente comum. Estima-se que a maioria das pessoas sexualmente ativas terá contato com o HPV ao longo da vida. Na maior parte dos casos, o organismo elimina o vírus espontaneamente, mas algumas infecções persistem e podem levar ao desenvolvimento do câncer.
O uso de preservativos contribui para reduzir o risco de transmissão, embora não ofereça proteção total. Já a vacinação contra o HPV é considerada uma das medidas mais eficazes de prevenção. No Brasil, o imunizante é disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas e meninos de 9 a 14 anos, sendo mais efetivo quando aplicado antes do início da vida sexual.
Além do Papanicolau, o rastreamento do câncer do colo do útero tem incorporado novas tecnologias, como o teste molecular de DNA-HPV, que apresenta maior sensibilidade para detectar o vírus. A tendência é que esse exame ganhe cada vez mais espaço, conforme diretrizes do Ministério da Saúde e orientações de entidades especializadas.
Janeiro Verde
O Janeiro Verde tem como objetivo ampliar o conhecimento da população sobre o câncer de colo do útero, destacando que se trata de uma doença amplamente evitável e com altas chances de cura quando identificada precocemente. A campanha reforça a importância da vacinação, dos exames periódicos, do acompanhamento ginecológico e de hábitos de vida saudáveis.
Apesar de ser um dos tumores mais frequentes entre mulheres no Brasil, o câncer cervical (ou de colo do útero) pode ser controlado com ações simples e acessíveis. Investir em informação, prevenção e diagnóstico precoce é o caminho para reduzir os números da doença e salvar vidas.


