O Rio Grande do Sul começa a aplicar, a partir de fevereiro, o nirsevimabe, anticorpo monoclonal incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) para proteger recém-nascidos e crianças pequenas contra o vírus sincicial respiratório (VSR), principal causador da bronquiolite. A medida, coordenada pelo Ministério da Saúde e operacionalizada pela Secretaria Estadual da Saúde, ocorrerá em maternidades e unidades públicas, priorizando prematuros e bebês com comorbidades, mais vulneráveis a complicações respiratórias graves.
O primeiro lote chegou ao Estado com 1.253 doses, distribuídas entre apresentações para crianças com menos de cinco quilos. Parte será enviada aos Centros de Imunobiológicos Especiais e às coordenadorias regionais de saúde, enquanto outra parcela ficará como estoque estratégico. As famílias devem procurar a maternidade de origem ou a unidade básica de saúde de referência para confirmar datas, locais e disponibilidade.
Diferente de uma vacina, o nirsevimabe fornece diretamente ao bebê o anticorpo que neutraliza o VSR, garantindo proteção imediata por até seis meses. O período crítico coincide com a maior vulnerabilidade dos recém-nascidos, especialmente prematuros, cujo sistema imunológico ainda não está totalmente desenvolvido. O imunizante é utilizado em países como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Espanha, com redução de internações.
Impacto
Bebês com menos de um ano representam pouco mais de 1% da população gaúcha, mas corresponderam a quase um terço das internações por síndrome respiratória aguda grave em 2025. Entre os menores de 12 meses, o VSR esteve presente em 42,6% dos casos, acima dos registros de covid-19 e influenza, mantendo tendência de crescimento desde 2023.
Em 2025, foram registradas 3.616 internações de bebês por infecção causada pelo vírus, acima das 2.700 em 2024 e das 2.200 em 2023. O pico ocorre entre maio e julho, período em que o frio e ambientes fechados favorecem a transmissão por gotículas e contato com secreções. Em casos graves, o VSR pode levar à insuficiência respiratória, necessidade de unidade de terapia intensiva (UTI) e até óbito, especialmente em crianças muito pequenas.
Ampliação
O nirsevimabe substitui o anticorpo anterior, palivizumabe, que exigia cinco aplicações mensais e era restrito a prematuros extremos e grupos clínicos específicos. Agora, todos os bebês nascidos com menos de 37 semanas de gestação podem receber a dose, além de crianças de até dois anos com cardiopatias, doenças pulmonares crônicas, imunodeficiências, síndromes genéticas e outras condições de risco.
Entre os prematuros, o impacto é significativo. Em 2024, cerca de 14.552 nascimentos ocorreram antes da 37ª semana, mas apenas 1.078 se enquadram nos critérios antigos. Com o novo anticorpo, o número de crianças protegidas nessa faixa aumenta mais de doze vezes, sem incluir aquelas de até dois anos com comorbidades.
Integração
Desde o fim de 2025, o SUS oferece vacinas para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez. A imunização estimula a produção de anticorpos na mãe, que são transferidos ao bebê ainda no útero, protegendo-o nos primeiros meses de vida, período de maior risco de hospitalização.
A aplicação do nirsevimabe, combinada à vacinação materna, garante proteção do nascimento até os primeiros meses, enquanto novos lotes devem ser distribuídos ao longo do ano para atender à circulação sazonal do vírus.


