Seleção genética se consolida no controle do carrapato no verão 
Seleção genética vem sendo adotada como estratégia preventiva para reduzir infestações de carrapatos em rebanhos bovinos.  Créditos: Leandro Vieira 

A seleção genética tem sido incorporada como ferramenta estratégica no controle do carrapato Rhipicephalus microplus em bovinos, especialmente durante o verão, período de maior incidência do parasita no Brasil. Com temperaturas elevadas e maior umidade, o ciclo do carrapato se acelera, ampliando prejuízos sanitários e econômicos. 

Segundo o vice-presidente da Conexão Delta G, Octaviano Pereira Neto, além dos carrapaticidas e do manejo tradicional, a genética surge como estratégia complementar para reduzir os impactos no campo. 

O avanço do carrapato é favorecido pelas condições climáticas típicas dos meses mais quentes, quando o parasita encontra ambiente ideal para se multiplicar. “No período de primavera e verão, com temperatura elevada e maior umidade, o carrapato encontra condições ideais para se multiplicar. O mesmo ocorre com outros parasitos, como moscas e vermes, que passam a ter ciclos de vida mais curtos e eficientes”, explica.  

Diferenças genéticas entre os animais  

Pesquisas conduzidas no Brasil e no exterior demonstram que há diferenças genéticas significativas entre bovinos quanto à resistência ao carrapato. Estudos indicam que animais selecionados para essa característica podem apresentar até dez vezes menos parasitas do que indivíduos suscetíveis, além de reduzir a capacidade reprodutiva do próprio carrapato, impactando a pressão de infestação no rebanho e no ambiente. 

A estratégia baseia-se na avaliação de animais por meio de contagens de carrapatos e análises genômicas, que identificam marcadores associados à resistência. A partir desses dados, reprodutores mais eficientes são priorizados nos programas de melhoramento. “Quando o produtor escolhe um touro que alia alto desempenho produtivo à resistência ao carrapato, essa característica passa a ser incorporada gradualmente à média do rebanho. No médio prazo, isso permite um controle mais racional dos parasitos e melhores resultados produtivos”, afirma. 

Ele ressalta que animais mais resistentes tendem a responder melhor tanto às infestações quanto aos tratamentos adotados. “Isso não significa que não se precise mais utilizar carrapaticidas ou adotar medidas de manejo recomendadas. Mas a resposta aos tratamentos e aos insumos aplicados é melhor em animais com maior resistência natural”, observa.  

Resistentes x suscetíveis  

Segundo Pereira Neto, a diferença entre animais resistentes e suscetíveis é visível no desempenho produtivo. “Os mais suscetíveis, mesmo tratados, costumam se reinfestar mais rapidamente e sofrem maior impacto da ação parasitária. Já quando trabalhamos com animais resistentes ou introduzimos genes de resistência em uma população, a eficiência do rebanho se mantém e conseguimos expressar melhor o mérito genético, como ganho de peso e eficiência produtiva”, explica. 

Outro efeito relevante é a redução da infestação ambiental. “Animais suscetíveis sofrem maior parasitismo e acabam contaminando mais a pastagem. Quando se introduzem genes de resistência em uma população, não apenas o animal individual se beneficia, mas o ambiente como um todo passa a ter menor carga de carrapatos”, completa.