Sessões de cinema leva filmes gaúchos a apenados
Apenados assistem à exibição do filme gaúcho Até que a música pare durante sessão do projeto no Instituto Penal de Uruguaiana Créditos: Divulgação/Polícia Penal

O Instituto Penal de Uruguaiana realizou, na segunda-feira, 26/1, duas sessões de cinema para apenados da unidade como parte do projeto Nós Nas Telas, iniciativa do Ministério da Cultura em parceria com a Secretaria da Cultura do Estado. A atividade ocorreu no presídio, com a exibição do longa-metragem gaúcho Até Que a Música Pare, que integrou a programação cultural prevista pelo projeto. 

Cerca de dez apenados participaram das sessões e assistiram à produção dirigida pela cineasta Cristiane Oliveira, uma coprodução brasileira e italiana ambientada na Serra Gaúcha. O filme acompanha a história de uma família descendente de imigrantes italianos que enfrenta o luto após a morte de um dos filhos, com foco nos deslocamentos e nas mudanças nas relações familiares. 

Após a exibição, os participantes discutiram o conteúdo do filme em uma mediação conduzida pela equipe técnica do Instituto Penal de Uruguaiana (IPU). O debate abordou elementos da narrativa e situações apresentadas na obra, a partir das reações dos próprios custodiados. 

Política cultural e financiamento 

O projeto Nós Nas Telas é financiado com recursos da Lei Complementar nº 195, conhecida como Lei Paulo Gustavo, criada para apoiar o setor cultural após os impactos da pandemia de Covid-19. A legislação destina verbas ao audiovisual e a iniciativas de formação de público por meio de editais e ações de fomento. 

A iniciativa prevê a circulação de produções gaúchas em espaços fora do circuito comercial, como escolas, centros culturais e instituições públicas. Os filmes são disponibilizados em formato digital para que cada local organize as exibições de acordo com sua rotina, com apoio de material educativo voltado às mediações. 

Expansão nas unidades prisionais 

Segundo a coordenadora técnica da 6ª Região Penitenciária, Daiane Bueno, a atividade deve ser levada a todas as unidades da região ainda em 2026. A proposta integra ações previstas no Plano Nacional Pena Justa, que inclui atividades culturais, educativas e esportivas no sistema prisional. 

A ação envolve órgãos como o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), dentro da política de articulação interinstitucional do projeto.