
Ocorreu na manhã de ontem, 4/9, com início às 9h30min, audiência de instrução e julgamento de crime de extorsão mediante sequestro, ocorrido em novembro do ano passado, vitimando um adolescente de 15 anos. O ato foi presidido pelo juiz André Elias Atalla, de Itaqui, que atua na 1ª Vara Criminal em substituição.
O ato estava marcado a fim de colher o depoimento do delegado Enio Tassi, responsável pela investigação que culminou na identificação e prisão de nove pessoas. Além dele, única testemunha de acusação que ainda não havia sido ouvida pelo Juiz, foram ouvidas cinco testemunhas de defesa, basicamente abonatórias, e por fim, interrogados os réus.
As testemunhas prestaram depoimento diante dos nove réus, oito deles que seguem recolhidos à Penitenciária Modulada Estadual de Uruguaiana (PMEU), e uma ré, Elisete Fructos Campelo, que responde em liberdade depois de ter um habeas corpus concedido pelo Tribunal de Justiça.
Dos réus, seis: Elbio Fructos Campelo, Elizângela Campelo Frutos, Elisete Fructos Campelo, José Gustavo Ordoque Gonçalves, Maicon Roger Gonçalves da Silva e Luis Couti Antunes Camargo negaram qualquer participação no crime. Os outros três, Maikon Sanhudo da Rosa, Alex Sander Gonçalves da Silva e Dionatan Augusto Antunes Camargo confessaram suas participações e descreveram as funções que exerceram no grupo, além de mencionar o que os demais integrantes da quadrilha estavam encarregados de fazer.
As defesas abriram mão de outras três testemunhas que estavam arroladas e, com o interrogatório dos réus está encerrada a fase de instrução processual. O Ministério Público, representando pelo promotor Luiz Antônio Barbará Dias, apresentará nos próximos dias suas alegações finais. Logo depois será a vez das defesas dos nove réus e, finalmente, o processo estará pronto para a sentença.
O crime
O crime ocorreu no dia 14 de novembro. O adolescente foi abordado enquanto voltava para casa após a escola, por às 12h53min, na Rua Tiradentes, próximo a agência dos Correios, e forçado a embarcar em automóvel Renault Logan prata, ação que foi registrada por câmeras de segurança da região. Cerca de 20 minutos depois, a mãe do menino recebeu a primeira ligação dizendo que ele estava bem, mas seria morto se não fosse pago um resgate de R$ 200 mil. Ela procurou a polícia.
Rapidamente os policiais identificaram o veículo, que havia sido alugado em uma locadora, e chegaram a Elisangela Fructos Campelo, irmã da então empregada da família, Elisete. Outros dois suspeitos foram identificados na sequência: Élbio Fructos Campelo, conhecido como ‘Cabeça Quadrada’, irmão das mulheres, e Maikon Sanhudo da Rosa, companheiro de Elisangela.
Mesmo de posse dos mandados de prisão temporária para os quatro suspeitos, e de busca e apreensão para cinco endereços, a polícia aguardou. A prioridade era garantir a segurança da vítima, que ainda estava em poder dos sequestradores. Os policiais, que desde o dia anterior monitoravam os suspeitos ‘se deixaram ver’, fazendo com que eles soubessem que estavam sendo monitorados. Com a pressão da polícia, por volta de 20h30min do dia 15, 33 horas após ser sequestrado, o adolescente foi libertado, sem o pagamento do resgate.
Assim que a vítima fora colocada em segurança, a polícia iniciou o cumprimento dos mandados. Élbio, Elisangela e Maikon foram imediatamente presos e Elisete se entregou à polícia no dia seguinte. No dia 17/11 mais um envolvido no crime foi preso, Alex Sander Gonçalves da Silva. No dia 23, mais dois homens, Maicon Roger Gonçalves da Silva, irmão de Alex Sander, e José Gustavo Ordoque Gonçalves. Por fim, no dia cinco de dezembro, a Defrec prendeu Dionatan Augusto Antunes Camargo e Luís Couti Antunes Camargo, em Alegre








