Os números do Novo Caged referentes a janeiro deste ano colocam Uruguaiana entre os municípios com desempenho desfavorável na abertura de vagas formais neste início de ano. O levantamento mensal do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) aponta retração no saldo de empregos com carteira assinada na cidade.
No primeiro mês de 2026, Uruguaiana contabilizou 819 contratações frente a 876 desligamentos, o que resultou em um saldo negativo de 57 postos de trabalho. O estoque total de vínculos formais ativos no município ficou em 21.009, com variação relativa de -0,27%. O tempo médio de permanência no emprego entre os trabalhadores desligados foi de 18,4 meses.
Quando analisado por gênero, os homens somaram 554 admissões e 566 demissões, fechando janeiro com saldo de -12 vagas. Entre as mulheres, o cenário foi mais adverso: 265 ingressos no mercado formal contra 310 desligamentos, o que representa retração de 45 postos.
O resultado contrasta com o desempenho observado no mesmo período do ano passado. Em janeiro de 2025, Uruguaiana registrou saldo positivo de 50 empregos formais, a partir de 1.033 admissões e 983 desligamentos.
Naquele mês, os homens lideraram a geração de vagas, com 682 contratações e 640 demissões, garantindo saldo positivo de 42 postos. As mulheres também encerraram o período no azul, com oito novas vagas (351 admissões contra 343 desligamentos).
Na comparação anual, o município teve 214 admissões a menos em janeiro de 2026, uma redução de 20,7% no volume de contratações.
Desempenho por setor em 2026
A análise por grandes agrupamentos econômicos revela comportamentos distintos entre as áreas da economia local.
A Agropecuária apresentou o melhor resultado do mês, com 215 admissões e 155 desligamentos, gerando saldo positivo de 60 vagas. O setor mantém estoque de 3.231 empregos formais.
A Indústria também teve desempenho favorável, ainda que mais modesto: 37 contratações e 24 desligamentos, saldo de +13, com 1.135 vínculos ativos. Por outro lado, a Construção Civil fechou janeiro com retração de oito postos (37 admissões e 45 desligamentos), mantendo estoque de 786 empregos.
O setor de Serviços perdeu 39 vagas, resultado de 270 admissões frente a 309 desligamentos. Já o Comércio foi o segmento com maior impacto negativo: 260 contratações e 343 demissões, saldo de -83 postos. Atualmente, o setor contabiliza 7.479 empregos formais no município.
Perfil dos trabalhadores
O saldo negativo de 57 vagas distribui-se de forma desigual entre homens, com menos 12 vagas, e mulheres, com menos 45.
As quedas mais significativas se concentraram entre trabalhadores com Ensino Médio Completo, menos 35, e Médio Incompleto, menos 34. Também houve diminuição entre aqueles com Ensino Fundamental Completo, menos 11, e entre pessoas não alfabetizadas, menos três.
Em contrapartida, houve geração de vagas para profissionais com Fundamental Incompleto, mais 21, Ensino Superior Completo, mais quatro, e Superior Incompleto, mais um.
As perdas mais expressivas atingiram trabalhadores de 30 a 39 anos, menos 26, e de 18 a 24 anos, menos 25, além de adolescentes de até 17 anos, menos 13. Já as faixas de 25 a 29 anos e de 50 a 64 anos apresentaram saldo positivo de três vagas cada. Trabalhadores com 65 anos ou mais um posto, enquanto o grupo de 40 a 49 anos manteve estabilidade.
Grupos ocupacionais
No recorte por ocupação, trabalhadores agropecuários, florestais e da pesca lideraram a criação de empregos, com saldo de mais 54. Também houve leves avanços entre profissionais das ciências e das artes, mais dois, e técnicos de nível médio, mais dois.
As retrações mais relevantes foram observadas entre trabalhadores de serviços administrativos, menos 34, empregados dos serviços e vendedores do comércio, menos 29, e profissionais da produção de bens e serviços industriais, menos 28 no grupo 1 e menos nove no grupo 2. Dirigentes, gerentes e integrantes de escalões superiores do poder público registraram saldo negativo de dez.
Panorama nacional
Em âmbito nacional, o cenário foi diferente. Segundo o Novo Caged, 18 das 27 unidades da Federação encerraram janeiro com saldo positivo. Entre os estados, destacaram-se Santa Catarina, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Paraná, todos com mais de 18 mil novos postos formais no mês.
Regionalmente, a Região Sul liderou a geração de empregos, com saldo de 55,7 mil vagas, seguida pelo Centro-Oeste (35,4 mil) e Sudeste (13,3 mil). Nordeste (6,1 mil) e Norte (1,7 mil) também apresentaram resultado positivo.
No recorte por setores, a Indústria foi a principal responsável pela abertura de vagas no país, seguida pela Construção, Serviços e Agropecuária. O Comércio, impactado pela sazonalidade pós-fim de ano, registrou saldo negativo.


