A Sociedade Recreativa e Cultural Os Rouxinois conquistou o terceiro lugar no Carnaval Fora de Época de Uruguaiana em 2026, levando para a avenida o enredo “Os Tambores de Ogã”, que abordou a importância do tambor e dos guardiões da fé nas tradições de matriz africana.
A proposta da escola foi contar o Itã de Ogã, narrativa da tradição iorubá que explica a origem da função do Ogã – responsável por conduzir os tambores e manter viva a ligação entre o mundo espiritual e o mundo terreno. No enredo, a história parte do momento em que Exu, escolhido como mensageiro dos orixás e senhor das encruzilhadas, também se torna o primeiro regente dos tambores, conhecido como Alagbê.

O desfile também destacou a trajetória do tambor como símbolo de resistência cultural. Desde suas origens nas aldeias africanas até sua presença no Brasil, o instrumento se tornou elemento central de diversas manifestações religiosas e culturais, como o Candomblé, a Umbanda, a Quimbanda e a Jurema Sagrada. No carnaval, essa herança aparece nas baterias das escolas de samba, que mantêm viva a batida ancestral.
Ao CIDADE, o presidente da escola, Jorge Quirino destacou que o projeto para o Carnaval começou ainda em abril do ano passado, envolvendo a comunidade e diversos colaboradores. Durante a entrevista, o dirigente também comentou alguns desafios enfrentados durante a preparação do desfile, incluindo situações envolvendo fantasias adquiridas no Rio de Janeiro que acabaram sendo semelhantes às utilizadas por outras escolas.
“Houve alguns contratempos. Depois que compramos algumas fantasias no Rio, outras escolas também adquiriram peças iguais. Como o regulamento prevê que a escola que desfila primeiro é considerada dona da fantasia, isso acabou gerando preocupações, modificações e gastos que não estavam previstos”, explicou.
Sobre o resultado final, Quirino reconheceu o trabalho da campeã Unidos da Ilha do Marduque, mas demonstrou questionamentos em relação a algumas notas atribuídas pelos jurados. “A Ilha fez um grande trabalho e merece os parabéns. A nossa maior dúvida está em alguns critérios de avaliação, especialmente no quesito samba, onde tivemos uma perda de 1,6 ponto nos dois dias de desfile, algo que praticamente decidiu o resultado. Estamos tentando entender quais foram os critérios utilizados”, comentou.
O presidente também mencionou diferenças de avaliação no quesito enredo entre uma noite e outra de desfile, o que, segundo ele, gerou estranhamento dentro da escola. Apesar das críticas, Quirino afirmou que a escola respeita o regulamento e reconheceu a penalização administrativa recebida por conta de uma alegoria que não concluiu o percurso completo na avenida.
Ao final, o dirigente agradeceu ao público e ao poder público pelo apoio ao evento e destacou que o trabalho da escola já começa a se voltar para o próximo desfile. “O carnaval é uma paixão popular e não para. Em cerca de 30 ou 40 dias devemos começar a trabalhar novamente pensando no próximo Carnaval”, concluiu.


