Estamos na Semana das Mães. E, como mulher, professora, pesquisadora, escritora e, sobretudo, mãe, não consigo olhar para essa data apenas pelo viés das homenagens. Para mim, este é um momento de reflexão profunda sobre o que significa maternar hoje.
Eu amo ser mãe. E digo isso com a mesma intensidade com que reconheço os desafios desse papel. A maternidade me atravessa, me transforma e me fortalece. É, ao mesmo tempo, o meu maior exercício de amor e a minha mais constante escola de humanidade. Sou feliz sendo mãe não por idealização, mas porque encontrei nesse vínculo uma forma genuína de sentido, afeto e construção de vida.
Ser mãe, na contemporaneidade, é viver no limite entre o amor e a exaustão. É ser multitarefa não por escolha, mas por necessidade. É administrar a casa, a vida profissional, os afetos e os imprevistos, enquanto se carrega uma carga mental que raramente é reconhecida. Existe uma sobrecarga silenciosa, estrutural, que precisa ser nomeada.
Mas a maternidade também se expande. Existem as mães solo, que enfrentam o desafio da criação sem rede de apoio. As mães atípicas, que cuidam de filhos com deficiência e lidam com um sistema muitas vezes despreparado. As mães que perderam filhos e seguem ressignificando sua existência. E há ainda as mães de pets, que encontram nos animais de estimação um vínculo profundo de cuidado, afeto e responsabilidade, uma forma legítima de expressão do instinto de proteção e amor.
Ao longo da minha trajetória, percebo que falar de maternidade é, inevitavelmente, falar de desigualdade. Porque, antes de tudo, ela está inserida na realidade de ser mulher em uma sociedade que ainda naturaliza o cuidado, mas não o valoriza como deveria. E é justamente aqui que insisto: romantizamos demais e valorizamos menos. Ser mãe exige competências complexas, organização, resiliência, empatia, capacidade de decisão, que deveriam ser reconhecidas social e economicamente, mas ainda não são.
Mais do que homenagens, mães precisam de suporte. Precisam de políticas públicas eficazes, de divisão justa de responsabilidades e de respeito real em todos os espaços que ocupam. Nesta Semana das Mães, eu proponho um olhar mais honesto. Que possamos reconhecer as maternidades em sua inteireza, com amor, mas também com luta. Com beleza, mas também com cansaço.
E, se eu pudesse me definir em uma frase, diria: sou uma mulher que constrói pontes entre o cuidado e a transformação, que encontra força na sensibilidade e que acredita que amar profundamente também é um ato político.
Porque ser mãe, para mim, não é apenas um papel. É uma escolha diária de amor e coragem.

