O mês de Abril é um alerta para refletirmos a proteção dos animais e a necessidade deste assunto ser tratado com maior seriedade. No Brasil a presença de animais domésticos é cada vez mais expressiva, inclusive recomendada por médicos e psicólogos, mas ainda se convive com índices alarmantes de abandono, maus-tratos e violência.
Segundo dados de entidades como o Instituto Pet Brasil e a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), o Brasil possui mais de 150 milhões de animais de estimação, sendo aproximadamente 60 milhões de cães e 30 milhões de gatos. No entanto, as estimativas dessas mesmas instituições e de organizações de proteção animal apontam que milhões desses animais vivem em situação de abandono, expostos à fome, doenças e diversas formas de crueldade. Essa realidade revela uma contradição: ao mesmo tempo em que cresce o afeto pelos animais, também persistem práticas que violam sua dignidade.
Importante destacar que os animais domésticos ocupam um lugar cada vez mais relevante na vida das pessoas. Cães e gatos não são apenas companhias ocasionais, são, muitas vezes, fontes de apoio emocional, afeto e equilíbrio psicológico. Em contextos de solidão, adoecimento ou vulnerabilidade, a presença de um animal pode significar conforto, rotina e até mesmo sentido.
Os animais retribuem de forma silenciosa, mas profunda: oferecem lealdade, reduzem o estresse, estimulam o convívio social e contribuem para a saúde mental. Não por acaso, cresce o reconhecimento do papel dos animais em terapias assistidas e no bem-estar humano. Essa relação, baseada no cuidado e na reciprocidade, reforça ainda mais a responsabilidade que temos sobre eles.
No Brasil a proteção animal é um dever legal, além da questão moral. A Lei de Crimes Ambientais tipifica os maus-tratos como crime, prevendo sanções que foram recentemente ampliadas, especialmente quando se trata de cães e gatos. A pena pode incluir reclusão (prisão), multa e proibição da guarda, demonstrando que o Estado reconhece a gravidade dessas condutas.
Portanto, o grande desafio está na efetividade do cumprimento da lei. A subnotificação de casos de maus-tratos é uma realidade preocupante, em que muitas situações de violência ocorrem no silêncio, dentro de residências ou em espaços invisibilizados, o que exige da sociedade uma postura ativa. Denunciar é direito e dever coletivo, seja por meio de delegacias, órgãos ambientais ou canais municipais de proteção animal.
A proteção dos animais dialoga diretamente com temas mais amplos, como saúde pública, meio ambiente e até mesmo violência social. Estudos apontam que contextos de violência contra animais frequentemente estão associados a outras formas de violência, inclusive contra mulheres e crianças. Ou seja, proteger os animais também é proteger a própria sociedade.
Nesse contexto, as políticas públicas eficazes tornam-se indispensáveis como: campanhas de conscientização, programas de castração, incentivo à adoção responsável e fortalecimento dos canais de denúncia. A educação, por sua vez, desempenha um papel central na construção de uma cultura de respeito e empatia.
Esse Abril Amarelo deve ser um ponto de partida para se repensar as práticas, as omissões e, sobretudo, nossa responsabilidade com os animais, pois, aqueles que tanto nos oferecem em afeto, companhia e cuidado, não podem continuar sendo vítimas do abandono e da crueldade do ser humano.

