Cena do filme “Trapo”, um dos destaques da 9ª Mostra Sesc de Cinema. Crédito: divulgação/Fora D’Água Filmes/João Chimendes.

A produção cinematográfica independente terá espaço em Uruguaiana durante o mês de outubro. O município integra o circuito da 9ª Mostra Sesc de Cinema, iniciativa que percorre diferentes cidades brasileiras com obras selecionadas entre milhares de inscrições. As sessões serão gratuitas e ocorrerão em espaços do Sesc e locais culturais parceiros.

Consolidada como uma das iniciativas de incentivo à produção e à circulação do cinema independente no Brasil, a Mostra chega à nona edição com 52 filmes escolhidos entre mais de 1,9 mil trabalhos inscritos. A programação nacional é dividida entre o Panorama Brasil, o Panorama Infantojuvenil e os Panoramas Estaduais.

No Rio Grande do Sul, a seleção reúne 14 produções, entre curtas, médias e longas-metragens. O chamado Panorama Gaúcho apresenta diferentes perspectivas sobre o Estado, seus territórios e seus personagens, ampliando a representação do cinema produzido em solo gaúcho.

A curadoria levou em consideração aspectos técnicos e narrativos, mas também a diversidade das histórias apresentadas, contemplando diferentes perspectivas sociais, territoriais, raciais e de gênero. O resultado é uma programação que transita por gêneros como ficção, documentário, animação, drama e terror.

Histórias de diferentes territórios

Entre os trabalhos selecionados está o documentário “Quando a Gente Menina Cresce”, dirigido por Neli Mombelli. A produção acompanha meninas entre 9 e 12 anos, estudantes de uma escola pública da periferia de Santa Maria, durante o período de transição entre a infância e a adolescência.

A memória e os vínculos familiares aparecem em “Zila”, de Kaya Rodrigues, que acompanha uma mulher negra solitária confrontada com lembranças e diferenças entre gerações. Já “Arcélia”, de Jennifer Ribeiro e Gabriel Pontes, resgata a trajetória de uma mulher negra nascida na zona rural gaúcha, refletindo sobre legado, resistência e as histórias que muitas vezes permanecem fora dos registros oficiais.

O período da ditadura militar brasileira também está presente na programação por meio de “Manoel e Betinha”, de Marta Hass, documentário que recupera a trajetória de Manoel Raymundo Soares e Elizabeth Chalupp Soares e as consequências da repressão sofrida pelo casal.

A seleção ainda percorre cenários imaginários e questões contemporâneas. Em “Fúrias”, de Nica Maleoa, uma Porto Alegre futurista é controlada por uma megacorporação, enquanto duas mulheres enfrentam as restrições impostas pelo novo modelo de cidade. Já “Gambá”, de Maciel Fischer, leva a ficção para o interior do Estado, em uma história ambientada em Soledade.

Também fazem parte do circuito produções como “A Tempestade”, de Diego Müller; “Banho Maria”, de Gabriel Faccini; “Grão”, de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa; “O Amanhã de Ontem”, de Fabrício Koltermann; “O Pente”, de Alisson Affonso; “O Véu”, de Gabriel Motta; e “Para Não Ser Levada Por Qualquer Ventania”, de Eleonora Loner.

Produção local também está na seleção

Uruguaiana estará representada diretamente na mostra com o curta-metragem “Trapo”, dirigido por João Chimendes. A ficção, com 19 minutos de duração e classificação livre, acompanha Leo, que precisa encontrar uma maneira de conseguir outro celular depois que Manu deixa a cidade levando o aparelho.

A presença da produção uruguaianense ao lado de filmes realizados em Porto Alegre, Santa Maria, Rio Grande, Soledade e outros municípios evidencia a diversidade territorial do audiovisual gaúcho.

Além de Uruguaiana, a circulação da 9ª Mostra Sesc de Cinema passa por Porto Alegre, Canoas, Frederico Westphalen, Gravataí, Lajeado, Pelotas, Rio Grande, Santa Cruz do Sul, Santa Rosa, Venâncio Aires e Viamão.