Volume é 11,4% inferior ao colhido na safra 2024/2025. Crédito:  Vanessa Almeida de Moraes/ Emater/RS-Ascar

A finalização da colheita de verão no Rio Grande do Sul traz um cenário de alerta para a cadeia produtiva do arroz. Segundo dados reavaliados pela Emater/RS-Ascar, a partir do Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira, 11/6, e do Instituto Riograndense do Arroz (Irga), o setor enfrenta uma retração consolidada tanto em extensão territorial quanto em volume final, desenhando um período de entressafra que exigirá cautela estratégica de produtores e agentes de logística. 

A área efetivamente plantada no Estado foi de 891.908 hectares, o que representa uma queda de 8,1% em comparação aos 970 212 hectares registrados no ciclo anterior. Essa redução de área, somada às oscilações de produtividade — reavaliada em 8 703 kg/ha —, resultou em uma produção total de 7,76 milhões de toneladas. O volume é 11,4% inferior ao colhido na safra 2024/2025. 

A redução não é um evento isolado, mas o reflexo de um ciclo marcado por desafios climáticos e econômicos. A variabilidade regional de chuvas e a incidência de neblina e baixa insolação em momentos críticos dificultaram a conclusão das operações de campo. Além disso, a concorrência por área com outras culturas de verão e os custos de produção elevados têm levado produtores a recalcular a viabilidade de grandes expansões. 

Para o setor de logística, a queda de mais de 11% no volume produzido sinaliza uma movimentação menos intensa em direção aos portos e centros de distribuição nos próximos meses. Com a cultura agora oficialmente em período de entressafra, o mercado deve observar uma pressão natural sobre os preços, dada a oferta mais restrita em relação ao ano anterior. 

Perspectivas 

Enquanto o arroz recua, outras culturas como a soja e o milho apresentaram crescimento no volume total, sugerindo uma reorganização do mapa produtivo gaúcho. Para o setor arrozeiro, o foco agora se volta para o planejamento da próxima safra, onde a gestão de custos e a eficiência logística serão determinantes para mitigar os resultados deste ciclo. 

Soja 

Enquanto o arroz recua, a soja apresenta um comportamento estatístico distinto que reorganiza o mapa produtivo gaúcho. Apesar de uma redução de 14,8% na produtividade média (2.707 kg/ha) e de uma leve queda de 1,5% na área plantada, a produção total da oleaginosa saltou para 18,13 milhões de toneladas — um expressivo crescimento de 32,9% em relação ao ciclo anterior. 

Esse avanço no volume total da soja, mesmo com rendimento individual menor por planta, destaca-se como o principal motor de movimentação de carga no estado, contrastando diretamente com a escassez projetada para o arroz.