Metodologia alia música e educação para tornar as aulas mais dinâmicas e facilitar fixação do conteúdo. Créditos: divulgação.

Encontrar formas de tornar o aprendizado mais atrativo tem sido um desafio constante para educadores. Em meio a esse cenário, o professor de Biologia Claudi Guerin Junior apostou em uma estratégia diferente: utilizar a música como ferramenta pedagógica para facilitar a compreensão de conteúdos considerados complexos e estimular a participação dos alunos em sala de aula.

Ao CIDADE, o docente contou que a iniciativa surgiu ainda no início de sua trajetória como professor, quando percebeu a dificuldade de muitos estudantes em memorizar conceitos e nomenclaturas da disciplina. A partir dessa observação, passou a adaptar canções conhecidas em forma de paródias, relacionando as letras aos conteúdos cobrados em provas e vestibulares.

“A ideia surgiu há cerca de seis anos, quando iniciei minha trajetória como professor no Cursinho Olavo Pré-Vestibular. Foi ali que tive a oportunidade de desenvolver essa metodologia graças à confiança e ao incentivo do professor Olavo Bellgamba, que foi meu mestre e continua sendo uma grande inspiração na minha caminhada como educador. Observando as dificuldades que muitos alunos enfrentavam para memorizar conteúdos de Biologia, especialmente aqueles com muitos conceitos e nomenclaturas, pensei em unir a Biologia e a música”, relata.

Segundo Claudi, a proposta começou como um recurso para revisar conteúdos antes das avaliações, mas os resultados positivos fizeram com que a prática fosse incorporada de forma permanente às aulas. Hoje, além do cursinho, a metodologia também é utilizada nas instituições em que leciona: Instituto Laura Vicuña, Marista Santana e Escola Embaixador João Batista Luzardo.

O professor explica que algumas paródias foram escritas por ele, enquanto outras fazem parte do legado deixado por Olavo Bellgamba e seguem sendo utilizadas em sala de aula. “Foi assim que comecei a utilizar paródias para revisar os conteúdos antes das provas. Algumas dessas canções são de minha autoria, enquanto outras foram ensinadas pelo professor Olavo e permanecem vivas nas minhas aulas até hoje, dando continuidade a uma metodologia que marcou gerações de estudantes”, afirma. Nas aulas, conteúdos como Genética, Citologia, Fisiologia, Ecologia e Evolução ganham ritmo por meio de melodias conhecidas pelos estudantes. A intenção, conforme o docente, não é substituir os métodos tradicionais de ensino, mas oferecer uma alternativa para reforçar a aprendizagem e tornar a assimilação dos conceitos mais natural.

A estratégia também tem refletido no desempenho dos estudantes em avaliações de grande porte. De acordo com Claudi, muitos alunos relatam que utilizam as paródias para recordar conteúdos durante o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e outros processos seletivos para o ensino superior. “Os resultados apareceram rapidamente. Os alunos passaram a cantar durante as aulas, em casa e até momentos antes das provas. Muitos me relatam que, durante o Enem e os vestibulares, lembram das letras das músicas para recuperar conceitos importantes e responder às questões com mais segurança”, conta.

Além de auxiliar na fixação do conteúdo, o professor observa que a música contribui para criar um ambiente mais participativo e reduzir a ansiedade diante de temas considerados difíceis. “Com o passar do tempo, percebi que essa estratégia vai muito além da memorização. As paródias despertam o interesse dos estudantes, aumentam o engajamento, tornam as aulas mais leves e participativas e ajudam a diminuir a ansiedade diante de conteúdos considerados difíceis. A música cria uma ligação afetiva com o conhecimento, favorecendo uma aprendizagem mais significativa e duradoura. Por isso, decidi levar essa metodologia para todas as escolas onde passei a atuar”, explica.

Expansão do projeto

Atualmente, Claudi pretende ampliar o alcance da iniciativa para além das salas de aula onde atua. O objetivo é compartilhar a experiência com outros educadores e estudantes por meio de aulões, palestras e formações.

“Atualmente, desenvolvo essa metodologia em todas as instituições onde leciono: Instituto Laura Vicuña, Marista Santana, Escola Embaixador João Batista Luzardo e também no Cursinho Olavo Pré-Vestibular. Acredito que essa prática pode ser aplicada em qualquer instituição de ensino, seja pública ou privada. Tenho, inclusive, o desejo de expandir esse trabalho por meio de aulões, palestras e formações para que mais professores e estudantes possam conhecer e vivenciar essa experiência”, destaca.

Para o professor, ensinar utilizando a música também transforma sua própria experiência em sala de aula. “Para mim, ensinar dessa forma é extremamente gratificante. Acredito que aprender não precisa ser um processo mecânico ou cansativo. Quando vejo uma turma inteira cantando conteúdos como Genética, Citologia ou Fisiologia e, depois, aplicando esses conhecimentos com facilidade na resolução de exercícios e simulados, tenho a certeza de que inovar vale a pena. É muito especial perceber que a música consegue aproximar os alunos da ciência e transformar a sala de aula em um ambiente ainda mais acolhedor e participativo”, afirma.

Ao longo dos anos, o retorno recebido dos ex-alunos reforçou a convicção de que a estratégia produz resultados que ultrapassam o período escolar. “Talvez o momento mais marcante seja reencontrar ex-alunos que, anos depois, ainda se lembram das músicas e contam que elas fizeram diferença em momentos decisivos, como o Enem, os vestibulares e até durante a graduação. Ouvir que uma paródia ajudou alguém a conquistar a aprovação ou a compreender um conteúdo que antes parecia impossível é, sem dúvida, uma das maiores recompensas que a profissão de professor pode oferecer”, finaliza.