Pedro Adair e José Ovídio, pioneiros da primeira turma da Zootecnia, participaram da cerimônia e emocionaram o público ao recordar a trajetória construída ao longo de seis décadas. Créditos: Gabriela Barcellos/JC.

A Universidade Federal do Pampa (Unipampa) inaugurou, na tarde de segunda-feira, 11/5, a cerimônia de inauguração do Marco Comemorativo pelos 60 anos da criação do curso de Zootecnia no Brasil. O ato ocorreu no campus Uruguaiana e reuniu professores, acadêmicos, ex-alunos, profissionais da área e representantes de entidades ligadas ao agronegócio e à educação.

A cerimônia foi organizada e conduzida pela professora Deise Dalazen Castagnara, graduada em Zootecnia e docente do curso de Medicina Veterinária da Unipampa. Durante a abertura, ela apresentou um resgate histórico da implantação do curso em Uruguaiana, inicialmente vinculado à Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e, atualmente, consolidado no campus Dom Pedrito da Unipampa.

Deise destacou que a criação da faculdade começou em 1965, impulsionada por lideranças locais interessadas em fortalecer e qualificar a produção pecuária na região da Fronteira Oeste. A aprovação oficial do curso ocorreu em abril de 1966, enquanto a primeira aula foi realizada em 13 de maio daquele ano, data que mais tarde passou a marcar oficialmente o Dia do Zootecnista.

Ao longo da apresentação histórica, também foi ressaltado o crescimento da instituição nos anos seguintes, com a construção de sede própria em área cedida pelo Governo do Estado e a ampliação das estruturas voltadas ao ensino, pesquisa e extensão. A implantação de novos cursos, entre eles Medicina Veterinária, consolidou ainda mais a importância da formação na área agropecuária.

Outro ponto lembrado durante a cerimônia foi a relação construída ao longo das décadas entre a universidade, órgãos públicos e entidades do setor produtivo, promovendo capacitações, ações de extensão rural e intercâmbios técnicos nacionais e internacionais.

A primeira turma de zootecnistas formou-se em 1970, mesmo ano em que o curso recebeu reconhecimento oficial. Desde então, a profissão passou a ocupar espaço estratégico no desenvolvimento da pecuária e da produção de alimentos de origem animal em todo o país.

Após a contextualização histórica, autoridades e convidados participaram de uma mesa de homenagens, compartilhando memórias e experiências ligadas à Zootecnia.

O primeiro a discursar foi Pedro Adair Fagundes dos Santos, reconhecido como o primeiro zootecnista do país e integrante da primeira turma do curso. Emocionado, ele relembrou a trajetória iniciada ainda na década de 1960. “A felicidade é muito grande. Foram mais de 55 anos dedicados à Zootecnia. É emocionante olhar para esses jovens profissionais e perceber que a profissão continua crescendo”, afirmou.

Pedro também recordou que precisou ir pessoalmente ao Ministério da Educação para registrar o diploma de número 1 da profissão no Brasil. Durante entrevista ao CIDADE, ele destacou a ligação da família com a área. “Minha filha acompanhava meu trabalho nas fazendas desde pequena e acabou se apaixonando pela profissão. Hoje, ela também segue essa trajetória”, contou.

Representando o pai, o produtor rural Mário Hamilton Vilela, um dos nomes considerados desbravadores da Zootecnia brasileira, falou Mário Hamilton Vilela Filho. Em sua fala, ele ressaltou a importância histórica da profissão. “Celebrar essa trajetória é reconhecer os alunos, professores e profissionais que ajudaram a construir a Zootecnia no Brasil. Este memorial representa não apenas a história já construída, mas o legado que permanece para as futuras gerações”, destacou.

A diretora do campus Uruguaiana, professora Cheila, também homenageou os pioneiros do curso. “Vocês foram responsáveis por abrir caminhos e plantar sementes que renderam inúmeros frutos ao longo das décadas”, comentou.

A vice-presidente da Associação Brasileira de Zootecnistas (Associação Brasileira de Zootecnistas), Angélica dos Santos Pinho, professora e coordenadora do curso de Zootecnia da Unipampa, destacou os desafios enfrentados pelos primeiros estudantes da graduação.

Filha de Pedro Adair, Angélica ressaltou a importância simbólica da celebração em Uruguaiana.“Estar aqui, no berço da Zootecnia, representa uma vitória para toda a categoria. Os pioneiros abriram caminhos em uma época muito mais difícil do que a atual”, afirmou. Ela também comentou sobre a atuação das entidades representativas na valorização da profissão. “A Associação Brasileira dos Zootecnistas luta diariamente para ampliar os espaços da categoria e fortalecer o reconhecimento profissional”, disse.

Representando o reitor da universidade, o médico veterinário Inácio Brandolt enfatizou o simbolismo do município para a história da profissão. “É muito significativo celebrar este momento em Uruguaiana, cidade que carrega o pioneirismo e o legado da Zootecnia brasileira”, declarou.

Outro momento marcado pela emoção foi o depoimento de José Ovídio, também integrante da primeira turma do curso. Ele relembrou a primeira aula realizada em 1966 e a formatura da turma, quatro anos depois. “A emoção de hoje talvez seja igual à daquele primeiro dia de aula. São lembranças que permanecem vivas até hoje”, relatou.

Monumento eternizou homenagem

Após o encerramento do cerimonial, os convidados seguiram até a frente do Laboratório de Nutrição Animal do campus, onde ocorreu a inauguração oficial da placa comemorativa.

A estrutura foi confeccionada em aço inox com gravação por fotocorrosão e instalada sobre base de granito preto. Durante o ato simbólico, as professoras Deise Dalazen Castagnara e Angélica dos Santos Pinho retiraram a fita que cobria o monumento, oficializando a homenagem aos 60 anos da Zootecnia no Brasil. Em frente ao memorial, Pedro Adair e José Ovídio voltaram a emocionar o público ao recordar os tempos de faculdade e os primeiros passos da profissão no país.

Os pioneiros também compartilharam a história da criação do símbolo da Zootecnia. Segundo eles, a ideia surgiu durante uma conversa entre alunos, que sentiam falta de um brasão representativo da profissão. Inspirado por uma revista agropecuária, José observou a figura de um ruminante e sugeriu unir o desenho ao trevo e à letra “Z”, formando o símbolo conhecido atualmente.

Durante a cerimônia, também foi apresentada a simbologia do brasão da Zootecnia. Os aros pretos representam a continuidade da vida e a integração entre os seres vivos e o meio ambiente. Já as engrenagens inferiores, compostas obrigatoriamente por 13 dentes, fazem referência ao dia 13 de maio, data dedicada ao zootecnista.

No centro da imagem, a letra “Z”, em vermelho, simboliza diretamente a profissão. O trevo verde de três folhas representa a ligação da produção vegetal com a produção animal, enquanto o perfil bovino estilizado remete à pecuária e à cadeia agroindustrial.

Ao final da programação, os participantes cantaram parabéns em homenagem aos 60 anos da criação do curso e ao Dia do Zootecnista, celebrado nesta quarta-feira, 13/5. Um bolo temático marcou o encerramento da solenidade.

Depois das homenagens, discursos e agradecimentos, os convidados participaram de um coffee break preparado pela organização do evento e pelos estudantes, encerrando a celebração em clima de confraternização e reconhecimento à história da Zootecnia brasileira.

  • Monumento comemorativo foi instalado em frente ao Laboratório de Nutrição Animal do campus. Créditos: Gabriela Barcellos/JC.
    Monumento comemorativo foi instalado em frente ao Laboratório de Nutrição Animal do campus. Créditos: Gabriela Barcellos/JC.
  • A cerimônia foi organizada e conduzida pela professora Deise Dalazen Castagnara, graduada em Zootecnia e docente do curso de Medicina Veterinária da Unipampa. Créditos: Helena Biasi/JC.
    A cerimônia foi organizada e conduzida pela professora Deise Dalazen Castagnara, graduada em Zootecnia e docente do curso de Medicina Veterinária da Unipampa. Créditos: Helena Biasi/JC.
  • Monumento comemorativo foi instalado em frente ao Laboratório de Nutrição Animal do campus. Créditos: Gabriela Barcellos/JC.
  • A cerimônia foi organizada e conduzida pela professora Deise Dalazen Castagnara, graduada em Zootecnia e docente do curso de Medicina Veterinária da Unipampa. Créditos: Helena Biasi/JC.