Mesmo após duas notificações e fiscalizações realizadas pelo Procon de Uruguaiana, não foram identificadas irregularidades nos postos de combustíveis do município. Segundo o diretor do órgão, André Rispoli, os estabelecimentos estão apenas repassando os preços definidos pelas distribuidoras, o que desloca a investigação para outros pontos da cadeia.
“O que a gente verificou até agora é que não tem nada abusivo nos postos. Eles estão repassando os valores das distribuidoras”, afirmou Rispoli em entrevista ao CIDADE. Ainda conforme ele, o Procon atua em conjunto com órgãos de cidades como Santa Maria, Canoas, Esteio, Ijuí, Passo Fundo e Rio Grande para entender a dinâmica dos preços, especialmente no diesel.
Em Uruguaiana, os preços da gasolina apresentam estabilidade nas últimas semanas, com variações discretas entre os levantamentos mais recentes. Com base em dados do aplicativo Menor Preço, do programa Nota Fiscal Gaúcha, o CIDADE identificou, no dia 27 de março, que o valor médio da gasolina comum era de R$ 6,55, com mínima de R$ 6,27 e máxima de R$ 6,89, evidenciando diferenças entre os postos. Já em novo levantamento realizado nesta segunda-feira, 13/4, houve um leve acréscimo, com média de R$ 6,59, mantendo, no entanto, o mesmo patamar observado nos períodos de alta.
No caso do diesel, o cenário chama atenção por outro motivo: apesar das discussões sobre aumentos em nível nacional, o combustível segue abaixo da média brasileira. Em Uruguaiana, o diesel é comercializado a cerca de R$ 6,57, valor mais de R$ 1 inferior à média nacional, que está em R$ 7,58, conforme dados da Petrobras. O dado reforça a percepção de que, localmente, não há pressão significativa sobre os preços ao consumidor neste momento.
Preço do petróleo caiu nas últimas semanas
Os dados do mercado internacional mostram um cenário de oscilação recente. No fim de março, o barril do petróleo tipo Brent chegou a ultrapassar US$ 118, impulsionado por tensões geopolíticas. Já no início de abril, houve recuo para cerca de US$ 94, com posterior estabilização na faixa entre US$ 98 e US$ 103.
Apesar dessa queda após o pico, o impacto nos preços locais ainda é limitado, especialmente porque a formação do valor final envolve diferentes etapas da cadeia, como refino, distribuição e tributos.
Diante do cenário de volatilidade, o governo federal adotou medidas para reduzir oscilações nos combustíveis: Mudança na política de preços da Petrobras; Ajustes nos impostos federais (PIS/Cofins); Negociações com estados sobre o ICMS; Monitoramento do setor pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) e busca por maior previsibilidade nos reajustes Mesmo assim, especialistas apontam que os efeitos dessas medidas tendem a ser graduais e nem sempre imediatos ao consumidor.
Conflito no Oriente Médio
A recente instabilidade no mercado de petróleo está diretamente ligada à escalada de tensões no Oriente Médio, especialmente entre Irã e Israel. No final de março e início de abril, ataques e ameaças entre os países elevaram o risco geopolítico global, pressionando os preços do petróleo.
O ponto mais sensível desse cenário é o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas do mundo, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo transportado globalmente. Diante do aumento das tensões, houve temor de bloqueio ou restrições na passagem de navios, o que levou o barril a ultrapassar os US$ 110.
Nos últimos dias o cenário passou por uma leve acomodação. Sinais de contenção do conflito e ausência de interrupção efetiva no fluxo pelo estreito contribuíram para a queda dos preços no mercado internacional. Ainda assim, o ambiente segue instável, com analistas apontando que qualquer novo episódio pode provocar alta imediata.
Esse vai-e-vem explica a forte volatilidade recente: o petróleo subiu rapidamente com o risco geopolítico e caiu quando o cenário indicou menor tensão, mas os efeitos dessa queda ainda estão chegando ao consumidor final.


