Município encerrou os três primeiros meses do ano com 21.020 trabalhadores formais ativos, segundo levantamento do Novo Caged créditos: Helena Biasi/JC.

O mercado formal de trabalho de Uruguaiana iniciou 2026 em ritmo de recuperação. Conforme dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), o município fechou o primeiro trimestre do ano, entre janeiro e março, com saldo positivo de 199 empregos, resultado de 2.832 admissões e 2.633 desligamentos.

Com o desempenho, o estoque de trabalhadores com carteira assinada chegou a 21.020 vínculos ativos em março de 2026. Na comparação com março do ano anterior, quando o município possuía 20.721 postos formais, houve crescimento de 1,44%, representando a entrada de 299 trabalhadores no mercado formal.

O resultado marca uma mudança no cenário em relação ao primeiro trimestre de 2025, período encerrado com retração no número de empregos, especialmente devido ao desempenho negativo registrado em março daquele ano.

Agropecuária lidera

Entre os setores econômicos, a agropecuária foi o principal responsável pela retomada do mercado de trabalho local em 2026. O segmento acumulou saldo positivo de 258 vagas nos três primeiros meses do ano, com 65 novos postos em janeiro, 113 em fevereiro e 80 em março. O desempenho representa uma reversão diante do cenário registrado em março de 2025, quando o setor havia fechado o mês com perda de 15 vagas. No período, o estoque da agropecuária também apresentou crescimento de 0,98%.

A indústria também apresentou reação no início de 2026. Após registrar redução de postos em março de 2025, o setor acumulou saldo positivo de 34 empregos no primeiro trimestre deste ano, crescimento influenciado pelos resultados de janeiro, com saldo positivo de 14 vagas e fevereiro mais 30 vagas.

A construção civil manteve comportamento estável, encerrando o trimestre com 22 novos postos. O principal avanço ocorreu em fevereiro, quando o segmento criou 30 vagas. Comércio registra retração, enquanto serviços mantém maior volume de trabalhadores

Mesmo com o resultado geral positivo, alguns setores apresentaram dificuldades no período. O comércio acumulou saldo negativo de 97 vagas no primeiro trimestre de 2026, impactado principalmente pelos resultados de janeiro e março. Em fevereiro, o setor apresentou recuperação pontual, com abertura de nove postos.

Já os serviços fecharam o trimestre com perda de 18 empregos formais. Apesar da redução, o segmento continua sendo o maior empregador do município, concentrando 8.362 trabalhadores ativos, o equivalente a aproximadamente 40% do estoque total de empregos formais de Uruguaiana.

Homens concentram 86% das vagas

Na divisão por gênero, os homens foram responsáveis pela maior parte do crescimento das vagas no primeiro trimestre de 2026. Foram 172 novos postos ocupados por trabalhadores do sexo masculino, enquanto as mulheres registraram saldo positivo de 27 vagas.

O resultado masculino corresponde a cerca de 86% do saldo total de empregos gerados no período. O principal avanço ocorreu em fevereiro, quando foram abertas 138 vagas para trabalhadores homens.

Entre as trabalhadoras, o primeiro trimestre começou com retração, mas apresentou melhora progressiva. Depois da redução de 53 vagas em janeiro, o mercado feminino voltou a crescer em fevereiro, com 44 novos postos, e manteve o avanço em março, quando foram abertas mais 36 oportunidades.

Jovens concentram crescimento

A faixa etária também apresentou mudanças importantes no perfil das contratações. Trabalhadores entre 18 e 24 anos foram os principais beneficiados no primeiro trimestre de 2026, com saldo positivo de 113 vagas, representando cerca de 57% do total de novos empregos gerados no município.

Entre jovens de até 17 anos, grupo formado principalmente por aprendizes e estagiários, foram criados 50 postos no período. O resultado foi impulsionado pelo mês de fevereiro, quando a categoria registrou abertura de 73 vagas.

A faixa entre 30 e 39 anos apresentou estabilidade após um período de perdas em 2025, encerrando o trimestre com saldo negativo de apenas quatro vagas. Já os trabalhadores entre 40 e 64 anos tiveram saldo positivo de 35 empregos.

Escolaridade

O levantamento por escolaridade mostra uma mudança no perfil das contratações. Trabalhadores com Ensino Médio completo lideraram a abertura de oportunidades em 2026, com saldo positivo de 101 vagas, correspondendo a aproximadamente 51% do crescimento líquido registrado no trimestre. O cenário contrasta com março de 2025, quando esse grupo havia concentrado a maior perda de empregos, com redução de 69 postos.

Trabalhadores com Ensino Fundamental incompleto tiveram saldo positivo de 60 vagas, desempenho relacionado principalmente ao avanço da agropecuária. Já profissionais com Ensino Superior completo registraram crescimento de 14 empregos formais no trimestre.

Dados estaduais

No cenário estadual, o Rio Grande do Sul também apresentou melhora nos indicadores de emprego. A taxa de desocupação ficou em 4% no primeiro trimestre de 2026, uma redução de 1,3 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025. A queda representa cerca de 77 mil pessoas a menos fora do mercado de trabalho. O rendimento médio mensal real dos trabalhadores ocupados chegou a R$4.127, crescimento de 5,5%.

O Estado registrou crescimento de 0,6% no estoque de empregos formais no período analisado, com saldo positivo de 16,7 mil vínculos com carteira assinada. O setor de serviços liderou a geração de postos, com 22,6 mil novos vínculos, seguido pela agropecuária, que abriu 2 mil vagas. A indústria apresentou retração, com redução de 7,6 mil empregos formais.