Uruguaiana encerrou maio de 2026 com saldo negativo de 228 postos de trabalho com carteira assinada, conforme os dados divulgados pelo Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego. Ao longo do mês, foram registradas 709 admissões e 937 desligamentos, desempenho mais desfavorável do que o observado em maio de 2025, quando o município havia fechado o período com saldo negativo de 20 vagas, resultado de 899 contratações e 919 demissões.
Na comparação entre os dois anos, o mercado formal apresentou retração. O volume de admissões caiu 21,1%, enquanto o número de desligamentos cresceu 1,9%. Apesar do resultado mensal negativo, o estoque de empregos formais permaneceu ligeiramente superior ao do ano anterior, passando de 20.478 trabalhadores com vínculo ativo em maio de 2025 para 20.535 em maio deste ano.
Agropecuária ampliou perdas
A Agropecuária foi o setor que mais contribuiu para o resultado negativo do mês. O segmento encerrou maio de 2026 com saldo de 183 vagas fechadas, desempenho bem inferior ao registrado em maio de 2025, quando a redução havia sido de 88 postos. O estoque de trabalhadores do setor caiu para 2.951 vínculos.
O comércio também apresentou mudança significativa. Depois de liderar a geração de empregos em maio do ano passado, quando abriu 91 vagas, o setor passou a registrar saldo negativo de 20 postos em 2026, mantendo estoque de 7.332 trabalhadores.
Nos serviços, o comportamento foi semelhante. O segmento deixou de criar vagas e fechou maio com saldo negativo de 24 empregos, após ter encerrado o mesmo período de 2025 com abertura de 35 postos. O estoque do setor ficou em 8.307 trabalhadores. A indústria reduziu o ritmo de perdas. O saldo passou de 25 vagas fechadas em 2025 para oito em 2026, totalizando 1.152 vínculos ativos.
A construção foi o único setor a encerrar o mês com saldo positivo. Foram abertas sete vagas formais, revertendo o cenário de maio do ano passado, quando havia registrado fechamento de 33 postos. O estoque chegou a 793 trabalhadores.
Homens concentram maior número
O saldo negativo atingiu principalmente os trabalhadores do sexo masculino. Entre os homens, foram registradas 424 admissões e 643 desligamentos, resultando em saldo de 219 vagas fechadas. No mesmo período de 2025, o saldo havia sido negativo em 82 postos.
Entre as mulheres, foram contabilizadas 285 admissões e 294 desligamentos, encerrando o mês com saldo negativo de nove vagas. Em maio do ano passado, o grupo havia registrado saldo positivo de 62 empregos.
Faixa etária
A análise por idade mostra que os trabalhadores entre 30 e 39 anos apresentaram a maior redução, com saldo negativo de 73 vagas, resultado de 191 admissões e 264 desligamentos. Em maio de 2025, essa mesma faixa havia registrado saldo positivo de duas vagas.
O grupo de 50 a 64 anos fechou maio com saldo negativo de 56 vagas, após registrar 49 admissões e 105 desligamentos. Entre trabalhadores de 40 a 49 anos, o saldo ficou negativo em 49 vagas, com 110 contratações e 159 desligamentos.
Na faixa de 25 a 29 anos, foram registradas 132 admissões e 165 desligamentos, encerrando o mês com perda de 33 postos de trabalho. Já entre jovens de 18 a 24 anos, o saldo foi negativo em 13 vagas, resultado de 208 admissões e 221 desligamentos. No mesmo período de 2025, essa faixa etária havia apresentado saldo positivo de 22 empregos.
O único resultado positivo foi observado entre adolescentes de até 17 anos. Foram 12 admissões e 11 desligamentos, garantindo saldo de uma vaga. Em maio de 2025, esse grupo havia encerrado o período com saldo positivo de 28 postos. Entre pessoas com 65 anos ou mais, o saldo foi negativo em cinco vagas, com sete admissões e 12 desligamentos.
Escolaridade
Quanto ao grau de instrução, os trabalhadores com ensino médio completo concentraram o maior saldo negativo, com perda de 71 vagas. Foram registradas 459 admissões e 530 desligamentos.
Também apresentaram saldo negativo os trabalhadores com ensino fundamental incompleto, com menos 70 vagas; ensino médio incompleto, com redução de 57 postos; ensino fundamental completo, com perda de 28 vagas; analfabetos, com saldo negativo de duas vagas; e profissionais com ensino superior completo, que encerraram o mês com duas vagas a menos.
O único grupo que apresentou resultado positivo foi o de trabalhadores com ensino superior incompleto, que registrou saldo de duas vagas.
Outro indicador do Novo Caged aponta aumento no tempo médio de permanência dos trabalhadores antes da demissão. Em maio de 2025, os profissionais desligados haviam permanecido, em média, 19,8 meses no emprego. Em maio de 2026, esse período passou para 21,1 meses, demonstrando que parte dos desligamentos atingiu trabalhadores com vínculos mais duradouros.


