O vereador Anderson ‘Cuco’ Menezes deixou o Instituto Penal de Uruguaiana na tarde desta quinta-feira, 5/11, mais de cinco meses depois de ser preso na primeira fase da Operação Oppenheimer. A prisão preventiva foi revogada pela manhã, e ele seguirá respondendo ao processo em liberdade. Segue impedido de frequentar a Câmara de Vereadores e outras repartições públicas.
A soltura ocorre no mesmo dia em que a Polícia Civil deflagrou a segunda fase da operação, com dez mandados de busca e apreensão, na qual outros nomes da política local, entre eles secretários municipais, são alvos.
Preso em 28 de maio
Cuco foi preso em 28 de maio, quando estava licenciado do mandato para comandar a Secretaria Municipal de Esporte, Lazer e Inclusão. Foi exonerado no mesmo dia pelo prefeito Carlos Delgado (PP).
Segundo o delegado Wellington Pinheiro, que conduz a investigação, o inquérito foi aberto a pedido do Ministério Público do Rio Grande do Sul para apurar corrupção ativa, corrupção passiva e associação criminosa. A investigação começou depois que um vereador apresentou uma notícia-crime. Ele entregou gravações de conversas atribuídas a Cuco, nas quais haveria propostas de dinheiro para que deixasse de fiscalizar contratos de transporte escolar no interior, desistisse de concorrer na eleição seguinte e votasse pela aprovação das contas do ex-prefeito Ronnie Mello (PP). As propostas teriam partido de ex-ocupantes de cargos de direção da prefeitura e de empresários com contratos com o município.
Cuco também é acusado de ameaça. Em conversas gravadas, teria dito ao denunciante que mandaria matá-lo ou o faria ele mesmo. A defesa sustenta que as falas foram em tom de brincadeira, argumento que será analisado no mérito da ação penal.
Na primeira fase, a polícia cumpriu dois mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão em Uruguaiana e Porto Alegre.
Solto por liminar, preso de novo em julho
Em decisão liminar, o desembargador Jayme Weingartner Neto, do TJRS, substituiu a preventiva por medidas cautelares. Entre elas, a suspensão do exercício do mandato por 90 dias, a proibição de acessar a Câmara e repartições públicas e de contatar testemunhas e investigados, e o comparecimento mensal em juízo. O relator considerou que o risco à ordem pública poderia ser contido sem prisão, já que Cuco havia sido exonerado e se licenciado, era réu primário e outros investigados respondiam em liberdade.
Em 23 de julho, a 4ª Câmara Criminal reformou a liminar por maioria de votos. O desembargador Rogerio Gesta Leal divergiu do relator e votou pelo restabelecimento da preventiva, para garantir a ordem pública e a conveniência da instrução criminal, sendo acompanhado por Julio Cesar Finger. Weingartner Neto manteve o voto pelas cautelares. Cuco voltou à prisão.


