Nesta quarta-feira, 4/11, o Tribunal do Júri de São Gabriel condenou culpado Tiago Ricardo Felber a mais de 80 anos de prisão pela morte do filho dele, o menino Théo Ricardo Falber, de 5 anos de idade.
Felber, que chegou a ser transferido para a Penitenciária Modulada Estadual de Uruguaiana (PMEU) por questões de segurança, jogou o próprio filho de uma ponte sobre o Rio Vacacaí, em março de 2025. Além do homicídio a condenação inclui outros crimes e a pena total foi de 83 anos e 4 meses de prisão, em regime inicial fechado, mais dois meses e vinte dias de detenção.
O julgamento foi presidido pela juíza de Direito Liz Grachten, da Vara Criminal. A sentença foi lida por volta das 23h, com a manutenção da prisão do réu para o imediato cumprimento da pena. Também foi estipulada indenização de R$ 100 mil a ser paga pelo réu aos familiares do menino.
Os jurados acataram a acusação do Ministério Público Estadual na íntegra, condenado o acusado pelos crimes de homicídio tentado qualificado cometido no dia 24 de março, dia anterior à morte do menino, quando o pai atentou contra a vida pela primeira vez; por homicídio consumado qualificado; e ameaça contra a ex-companheira, mãe da vítima.
As qualificadoras tanto para o homicídio tentado quanto consumado foram de motivo torpe, uso de asfixia, traição e dissimulação, recurso que dificultou a defesa e o fato de a vítima ser menor de 14 anos. Também foi aplicada a majorante pelo crime ter sido praticado contra descendente. No caso do crime consumado, houve o reconhecimento ainda da qualificadora de meio cruel e ocultação de outro crime.
Caso
O caso ganhou grande repercussão nacional. De acordo com o Ministério Público, Théo vivia com a mãe e passava alguns dias sob os cuidados do pai. O MP aponta que ele foi agredido pelo réu num dia e, no seguinte, arremessado de ponte sobre o Rio Vacacaí, em São Gabriel. Conforme o laudo pericial, a causa da morte foi traumatismo crânioencefálico decorrente da queda.
A motivação do crime seria causar sofrimento à mãe do menino, por estar descontente com o novo relacionamento dela.
Depoimentos
Após o sorteio dos jurados pela manhã, o depoimento da mãe de Théo abriu, por volta das 10h30, os trabalhos em plenário do júri. Durante a oitiva, ela falou sobre o fim do relacionamento com o réu, iniciado em 2014 e rompido alguns meses antes da morte do menino. Abordou ainda o comportamento do pai com o filho, e de como lida com a perda da criança.
Ela disse que o menino confiava em Tiago e que não achava justo que ele fosse totalmente afastado do convívio paterno. Disse não ter acreditado quando soube da morte, que entende foi consumada por vingança contra ela. “Era a minha vida”, disse sobre o filho ao lembrar que o nascimento de Théo havia sido planejado e era um desejo dela.
O testemunho seguinte foi de uma tia da mulher, que chegou a abrigar em casa a sobrinha quando ela saiu de São Gabriel após o rompimento com o réu. Para ela, a perda de Théo foi como se lhe arrancassem um filho.
Mais cinco testemunhas falaram a seguir, entre elas a irmã do réu, que disse que ele nunca mencionou fazer mal à ex-mulher ou ao filho. Policiais que de alguma forma acompanharam a ocorrência da morte do menino também falaram e detalharam aspectos dos procedimentos após os primeiros relatos, da tomada posterior dos depoimentos, no mesmo dia, e os procedimentos de investigação.
Interrogatório
Em seu interrogatório, Tiago admitiu que apertou o pescoço do menino na noite anterior a morte dele, e, no dia seguinte, o jogou do alto da ponte sobre o rio. Ao responder à juíza, disse não saber explicar o motivo.
O MP foi representado pelas promotoras de Justiça Graziela Lorenzoni e Maria Fernanda Rabelo Ramalho. A Assistência de Acusação ficou a cargo dos advogados Anne Victoria da Rosa Ganguilhet e Iessâni Ganguilhet. A defesa do réu foi realizada pela defensora pública Tatiana Kosby Boeira.

