Após a deflagração da segunda fase da Operação Oppenheimer, da Polícia Civil, o prefeito Carlos Delgado (PP) afirmou nesta quinta-feira, 5/11, que os fatos investigados pelas autoridades não dizem respeito a ele. Ao longo da manhã a Polícia Civil apreendeu celulares, computadores e documentos no palácio Rio Branco, sede do Executivo Municipal
No pronunciamento, o Prefeito disse reconhecer o trabalho da polícia e prometeu liderar um processo de “transparência total” diante do Ministério Público e da Polícia Civil.
Troca no secretariado
Delgado também anunciou o início de uma “reestruturação” do secretariado. A primeira mudança foi a transferência do procurador-geral do município, Glauber Ortiz, cuja demissão é pleiteada pelos demais procuradores do município com a anuência do Parquet, para a secretaria de Governo. Ortiz será o terceiro ocupante da pasta na gestão Delgado e substituirá o advogado e administrador de empresas Elton Mello, que sucedeu a Paulo Fossari. Ambos os secretários anteriores serviram à administração do ex-prefeito Ronnie Melo e foram alvos da Oppenheimer. Delgado não anunciou nenhuma outra substituição até o fechamento desta edição.
Santa Casa
Ao dizer que o município enfrenta “grandes dificuldades financeiras”, situação que, segundo ele, atinge a maioria das prefeituras brasileiras, asseverou que serão necessárias “decisões importantes” para manter compromissos e serviços essenciais, sem detalhar quais, e anunciou a criação de um comitê de crise para acompanhar a situação do Hospital Santa Casa de Uruguaiana, hoje conduzido por um diretor demissionário, Dionathan Nicorena, que também foi alvo de operação policial deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPRS. Delgado disse ser preciso “unir esforços” para garantir a continuidade dos atendimentos.
Ouro de Tolo
A última investida policial nas dependências do Executivo de Uruguaiana foi a Operação Ouro de Tolo, deflagrada pelo Gaeco e que investiga um esquema de desvio de recursos público do Hospital Santa Casa, que também teriam ocorrido na gestão anterior. Onze pessoas estão sendo investigadas por peculato, lavagem de dinheiro, corrupção, falsidade documental e organização criminosa, entre elas a antiga gestora, enfermeira do quadro de servidores municipais, Thaís Aramburu, demitida por Delgado quando se negou a afastar a GV Consulting, contratada a pelo de ouro e que comandava a administração hospitalar. A estimativa do MPRS é de que pelo menos R$ 5 milhões tenham sido desviados da instituição entre 2019 e 2024, através de superfaturamento de contratos e pagamentos irregulares.

