Colunista Cátia Liczbinski. Foto: Arquivo JC.

Para muitos ainda é difícil falar sobre o câncer, doença que antigamente era sinônimo de morte, mas com o avanço da ciência, é possível um adequado tratamento e a cura. Em um país marcado por profundas desigualdades sociais e regionais, o diagnóstico de câncer ainda representar medo, incerteza e, muitas vezes, uma corrida contra o tempo, mas é preciso entender que que o Sistema Único de Saúde (SUS) continua sendo uma das maiores ferramentas de proteção social do país, especialmente para milhares de brasileiros que não possuem condições financeiras de custear tratamentos de alto valor na rede privada.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar centenas de milhares de novos casos de câncer por ano nos próximos anos, sendo os mais incidentes os cânceres de mama, próstata, pulmão, intestino e colo do útero. O aumento está relacionado principalmente ao envelhecimento populacional. Um dos grandes problemas está no diagnóstico tardio. Muitas pessoas chegam ao sistema de saúde quando a doença está em estágio avançado, reduzindo as chances de cura. Quanto mais cedo ocorre a identificação do câncer, maiores são as possibilidades de tratamento menos agressivo, menores sequelas e melhores índices de sobrevivência.

Ainda existem inúmeras dificuldades para a realização dos exames e tratamento como: filas, medo, dificuldade de acesso a especialistas e desigualdade entre regiões do país, pois em muitos municípios pequenos, os pacientes precisam viajar horas para conseguir atendimento oncológico, realizar radioterapia ou iniciar quimioterapia. Uma novidade importante é que o Governo Federal anunciou recentemente um investimento histórico de R$ 2,2 bilhões para ampliar o acesso ao tratamento do câncer na rede pública, entre as medidas, tem-se a inclusão de 23 novos medicamentos oncológicos de alta tecnologia, destinados ao tratamento de 18 tipos diferentes de câncer, como mama, pulmão, ovário, leucemia e estômago, medicamentos aguardados há quase uma década.

Alguns desses tratamentos podem ultrapassar R$600 mil na rede privada, valor impossível para a maioria das famílias brasileiras. A ampliação do acesso demonstra a importância do SUS como instrumento de inclusão e garantia do direito constitucional à saúde. Também em relação à mulher é importante à ampliação da cirurgia reconstrutiva mamária para vítimas de mutilação parcial ou total, fortalecendo não apenas a recuperação física, mas também emocional e psicológica das pacientes.

No entanto, muitos desafios existem: a sobrecarga do sistema público, a falta de profissionais especializados em determinadas regiões, a dificuldade de acesso ao diagnóstico precoce, o deslocamento de pacientes e as desigualdades sociais continuam sendo obstáculos importantes porque também envolve acolhimento, assistência multidisciplinar, apoio psicológico, transporte adequado e políticas públicas permanentes. Muitas famílias enfrentam desemprego, perda de renda e vulnerabilidade financeira durante o tratamento. Mulheres, especialmente mães e cuidadoras, frequentemente abandonam suas próprias rotinas e trabalhos para acompanhar familiares doentes, revelando mais uma vez como o cuidado em saúde ainda recai majoritariamente sobre elas.

Nesse sentido, falar sobre câncer é complexo, além da prevenção, conscientização e humanidade é necessário continuar com campanhas educativas, ampliar exames preventivos e garantir que a população tenha acesso rápido ao diagnóstico e ao tratamento. O câncer não escolhe classe social, idade ou gênero, mas as chances de enfrentamento dependem ainda do acesso à informação e à estrutura de saúde disponível, pois ainda se vive em país com desigualdade social no qual o SUS (que é a saúde pública) é a esperança para milhões de brasileiros.