Produção de soja cresceu por ganho de produtividade e puxou resultado positivo. Crédito: Ilustração/Pexels.

A agropecuária do Rio Grande do Sul cresceu 37,4% no segundo trimestre de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior — o melhor desempenho entre todos os setores da economia gaúcha e mais de cinco vezes o resultado nacional, que ficou em 6,8%. Os dados são do Departamento de Economia e Estatística (DEE), da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), com base em levantamentos do IBGE.

O resultado do setor foi determinante para o avanço geral do PIB gaúcho no trimestre, de 5,7%, contra 2,0% do Brasil. Sem o campo, o desempenho da economia do estado seria bem mais modesto — os demais setores cresceram abaixo ou próximo da média nacional.

Soja puxa o resultado

A soja respondeu pela maior parte do impulso. A quantidade produzida no estado avançou 34,4% no trimestre, resultado de um salto de 36,2% no rendimento das lavouras, mesmo com leve redução de 1,3% na área plantada. Em outras palavras: a produção cresceu por ganho de produtividade, não por expansão de área.

O milho também contribuiu de forma expressiva, com alta de 21,8% na quantidade produzida. Nesse caso, o avanço veio de uma combinação entre expansão de área (+16,1%) e ganho de rendimento (+4,9%) — um movimento mais estrutural, que indica aumento consistente da participação da cultura.

Arroz na contramão

Na direção oposta, o arroz registrou queda de 10,2% na quantidade produzida, com retração de 6,7% na área e de 3,7% no rendimento. O recuo contrasta com o desempenho das demais lavouras de grãos e aponta para uma redução de investimento na cultura nesta safra — movimento que costuma repercutir na cadeia de beneficiamento e no comércio regional ao longo dos próximos meses.

Desempenho consistente

O bom resultado do trimestre não é isolado. No acumulado do primeiro semestre, a agropecuária gaúcha cresceu 19,7%, muito acima dos 3,6% do Brasil. Na média dos últimos quatro trimestres, a alta chega a 19,3%, contra 6,2% no país. Mesmo na comparação trimestre contra trimestre imediatamente anterior — medida que captura o ritmo mais recente e que mostrou acomodação no PIB geral —, o setor avançou 6,6%, ante 2,8% do Brasil.

Outros setores

A indústria de transformação do RS cresceu 3,2% no trimestre, enquanto o setor no Brasil registrou retração de 0,9%. Puxaram o resultado os segmentos de derivados de petróleo e biocombustíveis (+25,1%), veículos automotores (+24,4%) e produtos de metal (+22,9%).

O desempenho, porém, traz um sinal de atenção: a produção de máquinas e equipamentos despencou 20,8% no período — indicador que costuma refletir a retração do investimento produtivo. Produtos químicos (–9,6%) e metalurgia (–6,6%) também recuaram.

O setor de serviços gaúcho avançou 1,1% no trimestre, abaixo dos 1,5% do Brasil. A diferença é ainda maior em serviços de informação, que cresceram apenas 1,9% no RS, contra 8,4% no país — reflexo da menor diversificação da economia gaúcha em atividades de tecnologia.

No comércio, o destaque positivo ficou com livros, jornais, revistas e papelaria (+32,1%) e artigos de uso pessoal e doméstico (+14,8%). No lado negativo, equipamentos de informática (–12,8%) e vestuário e calçados (–10,0%) recuaram no trimestre.

O que isso significa para a economia

O desempenho agrícola explica, em boa medida, por que o PIB gaúcho cresceu quase o triplo da média nacional no trimestre. No entanto, a concentração do crescimento em um único setor acende um alerta: a economia do estado está apoiada em uma safra excepcional, cujos resultados dependem de fatores climáticos e de preços de commodities fora do controle local. O ritmo trimestral do PIB geral, de apenas 0,2%, reforça essa leitura — o impulso veio do campo, e não de uma recuperação generalizada da atividade.

Para os próximos trimestres, a pergunta central é quanto do crescimento se sustenta quando o efeito-safra arrefecer. A indústria de transformação gaúcha tem mostrado sinais mistos, e os serviços crescem abaixo do país, o que amplia a dependência do desempenho agrícola para o resultado anual do estado.