O campus Uruguaiana da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) sedia, entre esta quinta-feira, 14/5, e sábado, 16/5, a primeira edição do PampaVet – Congresso de Pequenos Animais do Pampa. O evento reúne estudantes, médicos-veterinários, residentes e pesquisadores em uma programação voltada à atualização técnica, integração acadêmica e troca de experiências profissionais na área da Medicina Veterinária.
Promovido pelo Programa de Educação Tutorial (Pet) Veterinária, com apoio do curso de Medicina Veterinária, programas de pós-graduação, Hospital Veterinário e Serviço Especializado Veterinário (SEV), o congresso busca fortalecer a discussão científica e ampliar o acesso a debates especializados na Fronteira Oeste.
Em entrevista ao CIDADE, a coordenadora do Pet e professora do curso de Medicina Veterinária da Unipampa, Marília Teresa de Oliveira, destacou o caráter pioneiro da iniciativa. “O PampaVet nasce da união de vários setores da universidade. É um esforço coletivo que envolve graduação, pós-graduação, residência, hospital veterinário e serviços especializados para tornar possível um congresso voltado exclusivamente aos pequenos animais”, afirmou.
Segundo ela, a proposta surgiu diante da necessidade de criar um evento de grande porte voltado ao segmento na região. A docente lembrou que a universidade já realiza o congresso “Lá na Fronteira”, dedicado aos grandes animais, e que a ideia agora é alternar as duas iniciativas. “Entendemos que seria importante ter um congresso específico para pequenos animais e intercalar os eventos. Em um ano, o congresso de grandes animais; no outro, o de pequenos animais”, explicou.
O congresso também marca o protagonismo estudantil na organização do evento. Integrantes do Pet Veterinária participaram diretamente da criação e estruturação do PampaVet desde as etapas iniciais. À reportagem, a acadêmica Maria Eduarda Fantinel contou que a ideia começou a ser desenvolvida a partir da experiência adquirida em outros eventos promovidos pelo grupo.
Segundo ela, a iniciativa foi amadurecendo ao longo dos últimos anos, até que os estudantes percebessem que tinham estrutura e conhecimento para organizar um congresso de maior porte. “Eu conheci o Pet através de um outro evento de pequenos animais que o grupo realizou anteriormente. Desde então, sempre tive vontade de continuar participando desse tipo de projeto. Com o tempo, fomos organizando outras atividades, entendendo melhor como funcionava cada etapa, até chegar no momento em que percebemos que conseguiríamos construir um congresso”, relatou.
A estudante destacou ainda que a proposta partiu dos próprios acadêmicos integrantes do programa. “Era uma ideia que já vinha sendo comentada dentro do grupo há bastante tempo. Depois de vários eventos organizados pelo Pet, começamos a estruturar melhor o projeto e apresentar a proposta para os professores e colegas”, afirmou.
Também integrante da comissão organizadora, a acadêmica Bianca Molina ressaltou a importância da experiência para a formação profissional dos estudantes envolvidos. “Participar de um congresso como ouvinte já é algo muito importante para a graduação, mas fazer parte da organização desde o início é uma experiência completamente diferente. Ver tudo sendo construído e acontecendo na prática é muito gratificante”, comentou.
Segundo ela, atuar nos bastidores do evento proporciona aprendizado que vai além da sala de aula. “Entrar no Pet já era algo que eu considerava muito importante, mas participar da criação de um congresso desse tamanho foi algo que eu nunca imaginei vivenciar durante a faculdade”, acrescentou.
Diversas especialidades
Ao longo dos três dias, os participantes terão acesso a palestras, minicursos práticos, mesas-redondas, apresentações científicas e atividades culturais. A programação aborda diferentes áreas da Medicina Veterinária, incluindo dermatologia, neurologia, ortopedia, oftalmologia, diagnóstico por imagem, anestesiologia, intensivismo e medicina baseada em evidências.
Marília ressaltou que, mesmo sendo a primeira edição, a organização buscou contemplar diferentes especialidades da profissão. “A Medicina Veterinária é muito ampla, então nossa ideia foi reunir o maior número possível de áreas dentro do congresso, oferecendo uma programação diversificada para estudantes e profissionais”, observou.
Além das palestras técnicas, o evento também contará com minicursos com vagas reduzidas e foco prático. Entre os temas previstos estão ventilação mecânica em cães e gatos, reanimação cardiopulmonar, oftalmologia prática, procedimentos em animais silvestres e medicina felina.
A programação inclui ainda apresentações orais de trabalhos científicos e exposição de banners. Conforme a professora, os trabalhos submetidos passam por avaliação em sistema duplo-cego, garantindo imparcialidade no processo. “Os autores encaminham os trabalhos sem identificação e eles são distribuídos para avaliadores que não possuem vínculo com os pesquisadores”, explicou.
A expectativa da organização é reunir participantes de diferentes cidades da região e também de países vizinhos, aproveitando a posição estratégica de Uruguaiana na fronteira com Argentina e Uruguai.
Para Marília, o congresso também representa uma oportunidade de aproximar a universidade da comunidade veterinária regional. “Queremos fortalecer essa integração entre a universidade, os profissionais da cidade e os estudantes. Isso contribui para o crescimento da Medicina Veterinária na região”, destacou.
Além do conteúdo técnico, o evento contará com momentos culturais, apresentações artísticas e atividades de confraternização voltadas ao networking entre os participantes.
Leishmaniose será tema central da abertura
A abertura do congresso será marcada pelo I PampaLeish, simpósio dedicado à leishmaniose, considerada um dos principais desafios de saúde pública da região. A atividade reunirá especialistas do Brasil e da Argentina para discutir políticas públicas, diretrizes clínicas e estratégias de enfrentamento da doença.
De acordo com Marília, a escolha da temática leva em consideração o cenário epidemiológico da Fronteira Oeste. “Uruguaiana é uma região endêmica para leishmaniose visceral canina e percebemos a necessidade de promover um espaço de discussão envolvendo universidade, poder público e profissionais da área”, destacou.
A proposta é reunir diferentes perspectivas sobre o tema, incluindo representantes da Sociedade Uruguaianense de Medicina Veterinária (Sumev), profissionais do abrigo municipal e pesquisadores que atuam diretamente com a doença. “A leishmaniose precisa ser debatida dentro do conceito de saúde única, envolvendo saúde animal, humana e ambiental”, acrescentou.
Sobre o PET Veterinária
O Programa de Educação Tutorial (Pet) é vinculado às pró-reitorias de Graduação e Extensão e atua por meio de grupos tutorais de aprendizagem. O objetivo é promover formação acadêmica ampla, estimular atividades extracurriculares e incentivar ações de ensino, pesquisa e extensão. Além da organização do PampaVet, o grupo Pet Veterinária desenvolve diversos projetos paralelos voltados à comunidade.
Entre eles está uma ação realizada junto à Associação dos Catadores de Lixo de Uruguaiana (ACLA), oferecendo atividades recreativas e de apoio educacional para filhos de trabalhadoras da associação. “Temos vários projetos acontecendo simultaneamente. Apesar de grande parte das energias estarem voltadas ao congresso neste momento, seguimos mantendo ações sociais e educativas desenvolvidas pelo Pet”, destacou Marília.


