A Universidade Federal do Pampa (Unipampa) concedeu, nesta quinta-feira (29), o título de Doutor Honoris Causa ao ex-ministro da Educação Tarso Genro, em solenidade no Campus Bagé. A homenagem reconheceu sua contribuição para a implantação da instituição e sua trajetória pública e intelectual. Realizada no ano em que a universidade completa duas décadas de atividades acadêmicas, a cerimônia teve apresentação cultural e posse de novos integrantes do Conselho Universitário (Consuni).
A proposta da honraria partiu do Campus Bagé e foi aprovada pelo Consuni. À frente do Ministério da Educação entre 2004 e 2005, Tarso participou das articulações que viabilizaram a Unipampa, no contexto das políticas de expansão e interiorização do ensino superior público. Os pronunciamentos recuperaram a mobilização de comunidades, educadores, movimentos sociais e lideranças políticas pela criação de uma universidade federal na Campanha e na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul.
A vice-reitora, Francéli Brizolla, agradeceu em nome da comunidade acadêmica e relacionou a homenagem à continuidade do trabalho da instituição. “Nós queremos lhe apresentar o seu legado, que é a nossa herança”, declarou.
O diretor do Campus Bagé, Pedro Dornelles, afirmou que a unidade propôs o título para reconhecer a atuação de Tarso como interlocutor das demandas regionais junto ao governo federal. Citou a participação de Luiz Fernando Mainardi e Paulo Pimenta e ressaltou que a criação da universidade nasceu de uma mobilização coletiva. Segundo ele, a instituição ampliou as possibilidades de formação e levou muitas famílias a ter, pela primeira vez, um integrante em uma universidade federal, além de contribuir para a formação cidadã e a defesa dos valores democráticos.
Tarso disse que o título tem significado especial por sua ligação com a história da universidade. Segundo ele, o projeto foi impulsionado pelas demandas das comunidades da região, e a mobilização foi fundamental para demonstrar o interesse da sociedade e construir apoio à proposta. Mencionou Mainardi, Estilac Xavier e Paulo Pimenta na interlocução com o Ministério da Educação. O ex-ministro também abordou os desafios da educação diante das transformações tecnológicas e da influência das plataformas digitais sobre a informação e as relações sociais, e defendeu a formação crítica, a produção de conhecimento e o papel das instituições de ensino na defesa da democracia e dos valores humanísticos.
O reitor, Edward Pessano, afirmou que homenagear Tarso é também revisitar a trajetória da instituição e reconhecer as decisões que a tornaram possível. Ele situou a criação da universidade no contexto das políticas de democratização do acesso à educação e disse que ela possibilitou projetos de vida próximos às comunidades de origem, a formação de profissionais e o desenvolvimento de pesquisas e ações de extensão voltadas à população. “A interiorização da educação superior não é apenas uma política de distribuição geográfica de instituições. É uma política de justiça social”, declarou. Pessano também destacou compromissos para o presente e o futuro, como garantir ingresso, permanência e conclusão dos cursos e fortalecer a ciência, a inovação, a cultura e a extensão.

