Encontro visou unir forças para fortalecer a democracia, conscientizar a população sobre a importância do voto e debater ações eficazes para reduzir a abstenção Foto: Gabriela Barcellos/JC

O salão do júri do Fórum de Uruguaiana sediou nesta segunda-feira, 13/7, o Ato Institucional de Incentivo ao Voto e Combate à Abstenção. Promovido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE/RS), o evento teve a presença da presidente da corte, desembargadora Maria de Lourdes Galvão Braccini de Gonzalez, e marca o lançamento de uma campanha do TRE/RS para combater a ausência nas urnas.

De acordo com o secretário de Comunicação do TRE/RS, Renato Sagrera, a campanha tem caráter estadual e o ato passará por vários municípios, em todas as regiões gaúchas. A escolha de Uruguaiana como primeira cidade, conforme ele, não foi por acaso, mas considera os índices de abstenção do último pleito. Nas eleições de 2024, Uruguaiana teve 33,79% de abstenção. “Foi o município com a maior abstenção em todo o Rio Grande do Sul, com quase 34% dos eleitores aptos ausentes. Isso é muito preocupante e foi por isso que decidiram dar a largada nessa iniciativa em Uruguaiana”, explicou.

Conforme ele, o encontro estratégico tem como objetivo unir forças entre a Justiça Eleitoral, lideranças locais e imprensa para fortalecer a democracia, conscientizar a população sobre a importância do voto e debater ações eficazes para reduzir os índices de abstenção no município.

A juíza eleitoral substituta Bárbara Pereira, destacou que diálogo, conversa e pontos de reflexão são necessários para que a comunidade se una. “É assim que vamos fortalecer as próximas eleições e, à medida que os anos vão passando, fortalecer as próximas gerações para que acreditem no voto, acreditem na democracia, porque sem elas a gente não consegue viver como uma sociedade”, disse. Ela também destacou a importância de o Tribunal Regional Eleitoral ter tomado a iniciativa de vir ao município.

Ações que geram resultados

O diretor da Escola Legislativa Dr. Homero Tarragó, da Câmara de Vereadores, Ricardo Simas, lembrou que após o pleito de 2024 as autoridades legislativas e judiciarias se reuniram para discutir e tentar compreender o alto índice de abstenção registrado em Uruguaiana. “Naquele momento começamos a discutir o que poderia ser feito pra mudar isso”, disse.

Simas destacou as ações da Escola do Legislativo, que vem trabalhando para mudar esse cenário através da educação para a cidadania, educação para a democracia, e inclusão dos jovens nesse movimento.  “E por isso nós criamos uma atividade chamada ‘Democracia é o do Povo’, que é uma palestra que a gente leva a todas as escolas. E no ano passado, a gente instituiu o Programa Jovem Parlamentar, com apoio da Justiça Eleitoral, que foi maravilhoso e nos rendeu um prêmio nacional, o segundo lugar nacional como Prática pela Democracia.

Por fim, Simas destacou o impacto dessas iniciativas a longo prazo. “Em Santa Catarina, a região que teve a menor abstenção de votos, de 14%, foi a região que tem escolas do Legislativo atuantes há mais de 10 anos. Em Minas Gerais, a região do sul de Minas, tem a menor abstenção, é uma região que tem escolas do Legislativo fazendo programas como Gincanas da Cidadania, Programa Vereador Mirim, Programa Jovem Parlamentar há mais de dez anos.

Impacto da abstenção

Natural de Uruguaiana, a presidente do TRE/RS disse que estar em sua terra natal tem um significado especial, mas que gostaria que a escolha da cidade para dar o start na campanha não fosse esse. “Sinceramente, eu gostaria de ter vindo aqui porque é minha terra natal; infelizmente, vim pelo índice preocupante de abstenção das eleições. O panorama recente nos exige um diagnóstico sincero e realista. Não podemos fechar os olhos para um fenômeno silencioso que cresce e enfraquece a nossa representatividade local”, disse ela.

Maria de Lourdes destacou que, no Rio Grande do Sul, o índice de abstenção no pleito de 2024 foi de 23,79 %. “Quase um em cada quatro cidadãos aptos deixou de comparecer para escolher os governantes mais próximos da sua realidade. Infelizmente, quando trazemos essa lupa pra Uruguaiana, o número acende um alerta maior”, comentou.

A Presidente destacou o impacto da abstenção nas urnas. “Pensem no impacto disso.  Mais de um terço do eleitorado decidiu não participar da escolha do prefeito e dos vereadores, aqueles que hoje definem os rumos da nossa saúde, da educação, da infraestrutura e do desenvolvimento. Quase um terço da população permitiu que os outros dois terços decidissem as eleições, decidisse o futuro deles. Esse silêncio tem consequências diretas na vida de cada bairro e de cada família”, adicionou.

A Desembargadora destacou também que o combate à abstenção “não é uma tarefa que a Justiça Eleitoral consiga ou deva realizar sozinha”. “Nós fazemos um chamamento público. Esse é um pacto social que exige a união de força de toda a comunidade. Precisamos do apoio do poder público, das universidades, das escolas, associações de bairros, do comércio, dos sindicatos, dos veículos de comunicação.  Cada um de nós precisa ser um agente multiplicador dessa conscientização.  Precisamos conversar com os nossos jovens, mostrando que a política e a cidadania acontecem no dia a dia, e a que o voto é a ferramenta de transparência mais poderosa que eles possuem na mão.  Também precisamos acolher, facilitar e incentivar o acesso das pessoas idosas, das comunidades do interior e daqueles que vivem em situação de vulnerabilidade. Unir a cidade em torno do voto e lembrar que perante a urna eletrônica, todos somos rigorosamente iguais. Ali, o peso da decisão é o mesmo”, finalizou

Maria de Lourdes também parabenizou as iniciativas já em andamento no município, como ações da Escola do Legislativo. “Fiquei sabendo dessas iniciativas e queria parabenizar”, disse.

  • Evento teve a presença da presidente do Tribunal Regional Eleitoral, desembargadora Maria de Lourdes Galvão Braccini de Gonzalez Foto: Gabriela Barcellos/JC
  • Encontro visou unir forças para fortalecer a democracia, conscientizar a população sobre a importância do voto e debater ações eficazes para reduzir a abstenção Foto: Gabriela Barcellos/JC