A população, profissionais de saúde e representantes da comunidade médica já podem participar da consulta pública aberta pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) para avaliar a possível inclusão do sotatercepte na rede pública de saúde. O medicamento é destinado ao tratamento de adultos diagnosticados com hipertensão arterial pulmonar (HAP).
As manifestações podem ser encaminhadas até a próxima segunda-feira, 17/8. A participação está disponível por meio da plataforma Brasil Participativo, em www.brasilparticipativo.presidencia.gov.br/processes/consultas-publicas-conitec/f/5172/.
A análise da Conitec atende a um pedido apresentado pelo próprio fabricante do medicamento. A proposta considera pacientes adultos classificados nas classes funcionais III ou IV, segundo os parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS), que apresentam risco de mortalidade de nível intermediário ou elevado.
A indicação em avaliação contempla pessoas que já utilizam combinação de dois medicamentos e não toleram terapias à base de prostaciclinas. O sotatercepte também poderá ser considerado para pacientes submetidos a tratamento com três medicamentos, nesse caso como complemento à terapia já prescrita.
A consulta pública permite que diferentes setores apresentem informações, experiências e argumentos que possam contribuir para a decisão sobre a eventual oferta do medicamento pelo Sistema Único de Saúde.
Segundo a Conitec, o sotatercepte interfere em uma via relacionada ao crescimento e à multiplicação das células presentes nos vasos sanguíneos. Esse processo pode apresentar alterações em pessoas com hipertensão arterial pulmonar e participar do estreitamento dos vasos que transportam o sangue pelos pulmões.
A possível atuação sobre esse mecanismo é um dos aspectos considerados na avaliação da tecnologia para a doença.
A doença
A hipertensão arterial pulmonar é uma enfermidade considerada rara e de evolução crônica e progressiva. A condição afeta os vasos sanguíneos responsáveis por levar o sangue do coração aos pulmões, provocando aumento da pressão nessa circulação.
Com a resistência maior à passagem do sangue, o lado direito do coração precisa trabalhar de forma mais intensa para manter o bombeamento. A sobrecarga pode aumentar gradualmente e comprometer o funcionamento cardíaco.
Entre os sinais associados à doença estão falta de ar, fadiga, tontura, dor no peito e episódios de desmaio. Também pode haver redução da capacidade para executar tarefas cotidianas que antes eram realizadas normalmente.
Em estágios mais graves, a HAP pode provocar insuficiência do coração, especialmente por causa da sobrecarga prolongada sobre o lado direito do órgão. A evolução da doença pode, portanto, resultar em complicações graves e até levar à morte.


