Roupas, calçados e acessórios estiveram entre os presentes mais procurados pelos consumidores durante o Dia das Mães. Créditos: Helena Biasi/JC.

O frio que começou a aparecer em Uruguaiana na semana que antecedeu o Dia das Mães ajudou a aquecer o comércio local. Celebrada no segundo domingo de maio, a data movimentou vitrines, ruas e consumidores em busca de presentes, principalmente nos setores de vestuário, calçados e perfumaria. Em meio à queda nas temperaturas, artigos de inverno ganharam destaque e passaram a dividir espaço com os tradicionais presentes da data comemorativa.

O presidente do Sindicato dos Lojistas de Uruguaiana (Sindilojas), Paulo Locatelli, avaliou de forma positiva o desempenho do comércio no período. Segundo ele, a mudança no clima teve influência direta no aumento das vendas. “O frio sempre ajuda o comércio. Naquela semana estava quente e depois deu aquela esfriada, isso já mudou o movimento nas lojas. As pessoas começaram a procurar roupas mais pesadas, calçados, jaquetas, blusões e isso movimenta bastante porque são produtos de maior valor agregado”, explicou.

De acordo com Locatelli, lojistas perceberam crescimento principalmente na área da confecção, além da boa saída de perfumes e cosméticos, itens tradicionalmente associados ao Dia das Mães. “Conversando com empresários e comerciantes, a gente percebeu que teve um resultado positivo. A parte da confecção teve bastante saída, perfumaria também. Foi um Dia das Mães muito bom e cada ano vem melhorando um pouco mais”, destacou.

Além do comércio tradicional, a Feira do Dia das Mães, promovida pela Prefeitura Municipal entre os dias 6 e 10 de maio, na Praça Barão do Rio Branco, também ajudou a impulsionar as vendas. A iniciativa reuniu microempreendedores individuais e artesãos, fortalecendo a circulação de consumidores e ampliando as opções de presentes com preços mais acessíveis.

Os números estaduais acompanham o cenário positivo observado em Uruguaiana. Conforme dados do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), o Rio Grande do Sul registrou crescimento nominal de 8,2% nas vendas do Dia das Mães de 2026. Já o volume real de vendas teve alta de 4,1%, descontada a inflação do período. O ticket médio estimado ficou em R$245 e a movimentação econômica ultrapassou R$2,5 bilhões no Estado.

Outro levantamento, realizado pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul (FCDLRS), apontou que 74% dos lojistas gaúchos atingiram ou superaram as metas previstas para a data. O Pix liderou entre as formas de pagamento à vista, enquanto compras de maior valor tiveram predominância do parcelamento em até três vezes no cartão de crédito.

Na Fronteira Oeste, o desempenho também foi considerado positivo. Indicadores regionais apontaram crescimento médio de 6,8% no faturamento em comparação com o mesmo período do ano passado. A estabilidade cambial nas cidades de fronteira também colaborou para manter o fluxo de consumidores na região.

Inverno chegando

Com a chegada gradual das temperaturas mais baixas, o setor já projeta um inverno mais promissor do que o de 2025. Locatelli afirma que o comércio começou a se preparar antecipadamente, investindo em vitrines temáticas e promoções para atrair consumidores. “O pessoal está animado porque a previsão aponta bastante frio nas próximas semanas. Isso é bom para o comércio, porque movimenta muito mais. No ano passado tivemos poucos dias frios e muita chuva, então o consumidor acaba comprando menos. Agora já dá para ver bastante gente usando roupa de inverno, jaqueta, calçado. Isso aumenta o movimento nas lojas”, comentou

Segundo ele, peças típicas da estação possuem maior valor agregado, fator que fortalece o faturamento do setor. “Uma jaqueta, por exemplo, representa um ticket maior. Então o frio acaba ajudando bastante o comércio nesse sentido”, acrescentou.

O presidente do Sindilojas também destacou o crescimento das lojas fora da região central da cidade. Conforme ele, bairros e ruas paralelas têm se fortalecido como polos comerciais nos últimos anos. “Hoje o comércio não está mais concentrado só no Centro. Temos muitos bairros crescendo, com lojas fortes e movimento constante. Isso mostra uma expansão importante da cidade e do próprio comércio local”, observou.

Entre os consumidores, a procura por artigos de inverno já começou. A dona de casa Carlise Brondani, moradora de Uruguaiana há mais de dez anos, afirma que ainda prefere comprar em lojas físicas. “Uruguaiana tem bastante opção. Se a pessoa pesquisar e procurar com calma, consegue encontrar roupas boas. Tem variedade e lojas para todos os estilos”, avaliou.

Já a recepcionista Cristiane Carpes percebeu aumento nos preços em relação ao ano passado, principalmente nos calçados. “Eu gosto de comprar em loja física porque prefiro experimentar e ver o produto. Mas achei os preços mais altos este ano. Comprei uma bota e percebi uma diferença de cerca de R$80 a R$100 em comparação ao ano passado”, relatou.

Na contramão, a agrônoma Maria Lúcia Berro opta pelas compras online para renovar o guarda-roupa de inverno. “Eu praticamente só compro pela internet. Acabo encontrando preços mais acessíveis e já estou acostumada. Até calçados compro online”, comentou.

Seja nas vitrines físicas ou nas plataformas digitais, o cenário já é de preparação para os dias mais frios do ano. Nas ruas centrais de Uruguaiana, o destaque vai para jaquetas, blusas térmicas, botas, mantas, meias-calças e cobertores, itens que começam a ganhar espaço com a aproximação oficial do inverno.

 

  • Peças mais quentes e calçados de inverno começaram a ganhar espaço no comércio uruguaianense após a primeira onda de frio do ano.. Créditos: Helena Biasi/JC
    Peças mais quentes e calçados de inverno começaram a ganhar espaço no comércio uruguaianense após a primeira onda de frio do ano.. Créditos: Helena Biasi/JC
  • Peças mais quentes e calçados de inverno começaram a ganhar espaço no comércio uruguaianense após a primeira onda de frio do ano.. Créditos: Helena Biasi/JC