Mulheres que enfrentam situações de violência e familiares que se dedicam ao cuidado de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras passaram a contar com uma nova modalidade de atendimento em saúde mental pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Desde segunda-feira, 24/8, o Ministério da Saúde disponibiliza até 100 mil teleatendimentos mensais para esse público em todo o país.
O serviço é oferecido por meio do aplicativo Meu SUS Digital. Com a expansão, mulheres de todos os estados brasileiros podem utilizar a ferramenta, que também passou a contemplar familiares responsáveis pelo cuidado de pessoas que necessitam de acompanhamento permanente.
A ampliação ocorre em um cenário de crescimento das notificações de violência contra mulheres. Dados registrados por serviços de saúde públicos e privados apontam que os casos de violência física, psicológica, sexual ou financeira passaram de 167,4 mil, em 2015, para 348,5 mil, em 2025. O aumento supera 100% em uma década.
Como acessar
O primeiro passo é entrar no aplicativo Meu SUS Digital utilizando a conta gov.br. Na plataforma, a usuária deve acessar a opção “Miniapps” e selecionar “Acolhe Mais + – Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres”.
Depois, o sistema direciona a usuária para a plataforma da AgSUS, onde são solicitadas informações para identificar a situação vivenciada. É possível indicar se o atendimento está relacionado a uma experiência de violência ou à condição de cuidadora de uma pessoa com deficiência, transtorno do neurodesenvolvimento ou doença rara.
Após o cadastro, a equipe responsável entrará em contato em até 24 horas para definir a data e o horário da consulta. Até o atendimento, a usuária recebe lembretes e, no dia marcado, o link para acessar a sessão virtual.
Nos casos relacionados à violência, o primeiro contato busca compreender a situação da mulher, identificar possíveis riscos, conhecer sua rede de apoio e levantar as principais necessidades apresentadas.
Cada usuária pode realizar até dez sessões de acompanhamento, com possibilidade de iniciar um novo ciclo posteriormente, quando houver necessidade. Ao término do atendimento, também poderá ser encaminhada para continuidade do cuidado em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou em outro serviço da rede de saúde. O CAPS também pode ser procurado diretamente.
Os atendimentos são realizados de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 14h. A equipe é formada por psicólogas mulheres, capacitadas pelo Ministério da Saúde para realizar atendimento remoto com escuta qualificada e identificação de situações que possam representar risco.
Em situações de emergência, a orientação é procurar os canais adequados, como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ou a Polícia Militar, pelo telefone 190. Quando houver necessidade de atendimento prioritário, mas sem risco que exija uma intervenção imediata, os profissionais responsáveis poderão articular o encaminhamento com os serviços de saúde disponíveis no município.
Cuidado também para quem cuida
A nova frente de atendimento também considera a realidade de mulheres que dedicam grande parte da rotina ao cuidado de familiares. Mães, tias, avós, irmãs e outras cuidadoras de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras agora podem recorrer ao serviço de forma remota.
A proposta busca reduzir obstáculos que muitas vezes dificultam a procura por assistência, como falta de tempo, distância dos serviços e dificuldades para se deslocar. Dessa forma, o atendimento cria um espaço destinado à saúde mental de quem, frequentemente, coloca as necessidades de outra pessoa em primeiro plano.
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), as mulheres realizam cerca de 75% do trabalho de cuidado não remunerado no mundo. O dado evidencia a dimensão da responsabilidade assumida por elas e a importância de ampliar políticas públicas que também contemplem a saúde de quem exerce essa função.


