Decisão estabelece distância mínima de 100 metros e proíbe qualquer forma de contato com a vítima Fotos: reprodução/redes sociais.

Uma briga de casal ecoou pelas ruas do bairro Cidade Nova na noite da última terça-feira, 11/8. A origem era a residência do casal Simão Almeida e Kamilli Flores, ele secretário municipal de Turismo e um dos principais promotores do Carnaval Fora de Época de Uruguaiana, ela 2ª Princesa da Corte do mesmo Carnaval.

Vizinhos escutaram ameaças de “vou te arrancar os cabelos”, e gritos desesperados de “não me bate, não me bate”, e em seguida testemunharam Kamilli deixando residência carregando seus pertences em um veículo de aplicativo. No dia seguinte um oficial de justiça foi visto chegando no local, mas retornando sem encontrar ninguém.

O casal se formou a partir dos eventos do Carnaval fora de Época de Uruguaiana, quando Kamilli foi eleita 2ª Princesa. Já antes do evento deste ano o casal estava formado e era visto corriqueiramente pela cidade.

A princesa

Kamilli confirmou a denúncia ao CIDADE e contou que a relação entre os dois foi se tornando, segundo sua percepção, progressivamente abusiva. “Existiam cobranças, controle, discussão e situações em que eu sentia que deveria medir minhas atitudes para evitar conflitos”, contou. Segundo ela, os episódios de desentendimento passaram a fazer parte da rotina do relacionamento. A vítima afirmou ainda que situações relacionadas a decisões pessoais também teriam sido utilizadas como motivo para discussões. “Até coisas que deveriam ser escolhas pessoais minhas, como mudar a cor do meu cabelo, acabavam se tornando motivo de briga e controle”, relatou.

Kamilli afirmou que o episódio ocorrido nesta semana foi determinante para que decidisse encerrar a situação e buscar proteção. “O episódio que aconteceu foi o momento em que eu percebi que a situação tinha passado de todos os limites. Houve agressão física e foi quando eu decidi sair dessa situação”, afirmou.

Kamilli disse que decidiu tornar a situação pública por entender que comportamentos abusivos não devem ser tratados como algo normal dentro de uma relação. “Hoje, ainda é tudo muito recente para mim, mas decidi falar porque não quero tratar isso como algo normal ou sentir vergonha pelo que aconteceu. Também não quero que outra mulher precise chegar ao mesmo limite para entender que está vivendo uma relação abusiva”, declarou.

Kamilli também esclareceu ao CIDADE que a situação não altera, neste momento, sua participação na Corte do Carnaval de Uruguaiana. “Sigo como 2ª princesa até a entrega da faixa”, disse.

O plebeu

O CIDADE procurou o secretário Simão Almeida, mas até o fechamento desta edição ele não atendeu as ligações ou retornou as mensagens enviadas.

Já o Executivo, através do secretário de Comunicação Everaldo Jacques, disse que o segredo de Justiça impede o Município comente ou forneça informações sobre uma acusação que não lhe tenha sido formalmente apresentada.

A Maria da Penha

O Judiciário deferiu medidas protetivas de urgência em favor da princesa Kamilli. A decisão foi proferida na quarta-feira, 12/8. Entre as medidas deferidas está a proibição de se aproximar da vítima a menos de 100 metros da vítima, e não estabelecer nenhum tipo de contato com ela, seja por telefone, e-mail ou outros meios.

A concessão de medidas protetivas de urgência ocorre no âmbito da Lei nº 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha. A decisão de proteção, contudo, não representa, por si só, uma condenação criminal, cabendo à Justiça analisar os fatos e eventuais responsabilidades no decorrer do procedimento.

Denúncias

A violência contra a mulher pode ocorrer de diferentes maneiras e nem sempre deixa sinais aparentes. Além da violência física, a legislação reconhece formas como violência psicológica, patrimonial e sexual.

Denúncias podem ser realizadas pela Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180, serviço que recebe orientações e relatos de violência. Em emergências, a recomendação é acionar a Brigada Militar pelo 190. Também é possível buscar atendimento junto às Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), às delegacias de polícia e a outros serviços da rede de proteção.