Entre os presos, seis foram localizados em Alegrete, quatro em Quaraí e outros dois em Sant’Ana do Livramento e São Gabriel. Créditos: divulgação.

A Polícia Civil deflagrou, nesta terça-feira, 11/8, a Operação Mezenga, voltada à investigação de uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. Coordenada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de Sant’Ana do Livramento, a ação mobilizou aproximadamente 70 policiais e teve medidas cumpridas em municípios da Fronteira Oeste e em estabelecimentos prisionais.

Ao todo, a Justiça autorizou 30 medidas judiciais, sendo 14 mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão. Também foram determinados bloqueios de contas bancárias e de bens e ativos financeiros relacionados aos investigados. As ordens foram executadas em Sant’Ana do Livramento, Quaraí, Alegrete e no sistema penitenciário.

Em Alegrete, seis pessoas foram presas no bairro Renascer. As equipes também realizaram buscas em endereços situados na região da Zona Leste do município. Outras quatro prisões ocorreram em Quaraí, enquanto uma pessoa foi localizada e presa em Sant’Ana do Livramento e outra em São Gabriel. Dois dos alvos já estavam recolhidos ao sistema prisional, sendo um na Penitenciária Estadual de Charqueadas e outro em Guaíba.

Após as prisões, os investigados foram submetidos a exame de corpo de delito e encaminhados para os procedimentos legais. Os presos em Alegrete devem ser levados ao Presídio Estadual de Alegrete, onde permanecerão à disposição da Justiça.

Investigação começou em 2025

Conforme a Polícia Civil, a apuração teve início em agosto de 2025 e reuniu informações policiais, documentais, materiais, financeiras e telemáticas. Os dados obtidos apontaram para uma estrutura organizada e hierarquizada, dividida em núcleos com funções distintas.

Entre as atribuições identificadas pelos investigadores estão a liderança do grupo, o gerenciamento territorial, a logística e distribuição dos entorpecentes, a arrecadação de valores e a movimentação de recursos que teriam origem nas atividades criminosas.

Segundo o delegado Adriano Linhares, responsável pela coordenação da operação, a ofensiva representa uma nova etapa de investigações relacionadas ao grupo criminoso que já vinha sendo acompanhado pelas autoridades desde 2021. “Essa é outra fase da operação que tramita no Ministério Público, com ações do Rei do Gado. Agora agimos com prisões em relação à lavagem de capital, com a prisão dos indivíduos e bloqueios financeiros e patrimoniais dos envolvidos”, explicou.

A investigação também busca verificar uma possível ligação entre os fatos apurados na Operação Mezenga e um esquema anteriormente identificado pelas autoridades, relacionado à simulação de negociações de gado utilizadas, segundo a apuração, para ocultar valores provenientes do tráfico de drogas.

Movimentações financeiras

A análise financeira é um dos principais eixos da investigação. De acordo com a Polícia Civil, foram examinadas movimentações que chegaram a aproximadamente R$ 100,75 milhões, sendo identificado um percentual elevado de operações consideradas atípicas pelos investigadores.

Em uma etapa mais detalhada da análise bancária e fiscal, foram identificados cerca de R$ 39,4 milhões em movimentações brutas, considerando créditos e débitos relacionados a pessoas diretamente vinculadas à estrutura investigada.

Segundo o delegado Adriano Linhares, as investigações apontam que o grupo teria movimentado mais de R$ 40 milhões. Além das prisões, a operação prevê o bloqueio de valores, bens e outros ativos relacionados aos investigados.

A apuração ocorre na sequência de uma investigação sobre um esquema milionário envolvendo supostas negociações fictícias de gado e lavagem de dinheiro. Conforme os elementos reunidos, os animais não existiriam fisicamente, mas seriam registrados em operações comerciais simuladas para dar aparência legal à movimentação dos recursos.

Linhares não descarta que os fatos investigados na Operação Mezenga estejam relacionados ao esquema anteriormente identificado ou que representem uma das ramificações da estrutura criminosa já investigada.

Drogas e materiais apreendidos

Ao longo da investigação, também foram reunidas informações relacionadas à apreensão de entorpecentes, dinheiro, arma de fogo e munições. Entre os materiais encontrados estão balanças de precisão, prensas e outros equipamentos que, segundo a Polícia Civil, poderiam ser empregados na preparação, no fracionamento e no acondicionamento das drogas.

Dados extraídos de aparelhos celulares, documentos e informações de natureza telemática e financeira também integram o conjunto de elementos analisados pelos investigadores.

Parte das medidas judiciais foi cumprida em unidades prisionais. Segundo a investigação, alguns integrantes teriam continuado exercendo influência sobre as atividades da organização mesmo depois de serem presos. Por esse motivo, foram realizadas buscas e prisões de alvos que já estavam recolhidos ao sistema penitenciário.

A Operação Mezenga contou com apoio das Delegacias de Polícia Regionais de Alegrete, Santiago e Bagé, além de policiais civis das unidades que integram a 12ª Região Policial e da Polícia Penal.