Uruguaiana recebe, na quinta-feira. 28/5, a 1ª Conferência Livre de Saúde das Mulheridades – Maria Medianeira, evento que vai reunir mulheres, coletivos, estudantes, profissionais da saúde e comunidade para discutir políticas públicas, participação social e os desafios enfrentados pelas mulheres nos espaços de cuidado e atendimento em saúde. A atividade ocorre das 13h30 às 17h, na Biblioteca Municipal, e integra o processo preparatório para a Conferência Municipal de Saúde, marcada para o dia 17 de junho.
Uma das organizadoras da conferência, a professora Stael Soraya explicou que a proposta das conferências livres surgiu dentro do Conselho Municipal de Saúde para ampliar a participação popular na construção das políticas públicas.
Segundo ela, muitas pessoas não conseguem participar das conferências oficiais por dificuldades relacionadas ao horário, deslocamento e acesso, especialmente moradores de bairros periféricos e comunidades do interior do município. “Nós pensamos em realizar conferências livres justamente para ouvir os diferentes setores da comunidade e garantir que a Conferência Municipal de Saúde traga as reais demandas da população de Uruguaiana”, afirmou.
Stael destacou ainda que a saúde precisa ser debatida de forma ampla, considerando fatores sociais, econômicos e ambientais. “Entendemos que saúde não é apenas ausência de doença. As mulheres estão na linha de frente do cuidado com as famílias e enfrentam diretamente os impactos das desigualdades sociais e das dificuldades nos serviços públicos”, ressaltou.
Debate sobre saúde das mulheres
A conferência terá como tema “Saúde das mulheres, participação social e enfrentamento às violências e à crise climática: o compromisso democrático do SUS”, alinhado à temática nacional definida pelo Conselho Nacional de Saúde: “Saúde, democracia, soberania e SUS: cuidar do povo é cuidar do Brasil”.
Durante o encontro, serão debatidos temas como saúde integral das mulheres, equidade no SUS, participação social, enfrentamento às violências e justiça climática. A proposta é construir um espaço de escuta coletiva e formulação de demandas para a etapa municipal da conferência.
A enfermeira residente em Saúde Mental Coletiva da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Letícia de Araújo Pinto, que também integra a organização, explicou que o termo “mulheridades” foi escolhido para tornar o evento mais inclusivo.
“A proposta foi pensada para abranger todas as pessoas que se identificam como gênero feminino, incluindo mulheres cis e trans, criando um espaço acolhedor e representativo”, explicou.
Segundo Letícia, a conferência é resultado da articulação entre diferentes coletivos e movimentos sociais, entre eles a Residência Multiprofissional em Saúde Mental Coletiva da Unipampa, o coletivo AfirmaSUS, o Comitê de Gênero e Sexualidade da Unipampa, o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas, o Movimento Negro Unificado e o Comitê de Equidades em Saúde de Uruguaiana.
Além da conferência voltada às mulheres, outras conferências livres já vêm sendo realizadas em Uruguaiana, incluindo encontros sobre saúde mental e atividades em terreiros religiosos. Conforme os organizadores, a intenção é ampliar o diálogo com diferentes comunidades e garantir que as demandas da população estejam representadas na Conferência Municipal de Saúde.


