Ônibus utilizado no transporte escolar foi destruído por um incêndio na região do Touro Passo na terça-feira.

Um ônibus utilizado no transporte escolar do interior de Uruguaiana foi destruído por um incêndio no final da tarde de terça-feira, 20/10, em uma estrada de terra na região do Touro Passo, onde fica o Polo Barragem Sanchuri. O veículo transportava estudantes da Escola Estadual Leda Maria Pereira da Silva. Não houve registro de feridos, mas o caso será investigado para esclarecer as circunstâncias do ocorrido e verificar as condições do veículo.

A ocorrência foi atendida pelo Corpo de Bombeiros Militar por volta das 18h30. Quando a equipe chegou ao local, o ônibus já estava tomado pelas chamas, devido à demora pela distância. Segundo a corporação, não havia ninguém no ônibus para prestar esclarecimentos. O fogo foi completamente extinto.

Conforme as informações iniciais, três crianças estavam no veículo no momento do incêndio e conseguiram sair com o auxílio da motorista e da monitora. No entanto, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) ainda busca esclarecer a dinâmica do episódio, pois as profissionais não compareceram à sede da pasta para prestar esclarecimentos.

A secretária municipal de Educação, professora Dirce Gracioso Soares, disse ao CIDADE que a documentação do ônibus estava regular e que a pasta solicitou novos procedimentos de fiscalização após o ocorrido. A titular também anunciou a abertura de uma investigação administrativa e o registro de ocorrência policial para apurar as causas do incêndio.

Em razão do episódio, o transporte escolar do Polo Barragem Sanchuri foi suspenso a partir desta quarta-feira, 21/10. Segundo Dirce, a retomada do serviço dependerá de novas inspeções para verificar as condições dos veículos utilizados pela empresa responsável, a Adimon Transportes Ltda.

A secretária explicou que a documentação do ônibus, incluindo o licenciamento e a autorização para o transporte escolar acompanhada de laudo técnico, foi apresentada à Semed em 24 de agosto. Conforme a responsável pela pasta, os documentos indicavam que o veículo estava apto para circular. “A documentação dos veículos que operam o transporte escolar, inclusive desse veículo, foi expedida dia 24 de agosto. Esse veículo, em princípio, foi devidamente inspecionado pelo responsável técnico, pela emissão do laudo”, afirmou.

Dirce acrescentou que, até então, a Secretaria não havia recebido reclamações ou relatos da comunidade rural sobre problemas relacionados especificamente ao ônibus que incendiou. Segundo ela, quando são comunicadas irregularidades nos veículos, a pasta verifica as situações e notifica as empresas responsáveis para que realizem as correções necessárias.

A secretária citou problemas como cintos de segurança danificados, portas com defeito, bancos rasgados e pneus inadequados como exemplos de situações que podem motivar providências por parte da fiscalização. “Agora nós estamos requerendo que faça uma nova inspeção, suspendemos o transporte para inspecionar os veículos dessa empresa, em especial”, explicou.

A Semed também está verificando se outros veículos utilizados no transporte escolar municipal possuem laudos emitidos pelo mesmo engenheiro mecânico responsável pela avaliação do ônibus incendiado. A intenção é avaliar a necessidade de novas inspeções.

Causas ainda são desconhecidas

Até o momento, não há confirmação sobre o que provocou o incêndio. Dirce ressaltou que a documentação apresentada anteriormente não permite descartar a possibilidade de falhas que não tenham sido identificadas durante a vistoria. “A Secretaria não tem conhecimento técnico para afirmar que o laudo não foi bem feito, porque pode ter sido um caso fortuito que possa ter ocasionado esse incêndio, uma falha elétrica, porque isso, numa inspeção, é difícil de constatar”, declarou.

A secretária relatou que a Semed entrou em contato com a empresa responsável ainda na noite de terça-feira. Na quarta-feira, a pasta também procurou a motorista e a monitora para que comparecessem à Secretaria e apresentassem suas versões sobre o ocorrido. Segundo Dirce, as profissionais não foram ao local porque estavam emocionalmente abaladas. “Conversamos à noite mesmo com a empresa, que também não tinha conhecimento. Entramos em contato hoje com a motorista e com a monitora, pedindo que comparecessem aqui na Secretaria de Educação, para a gente poder esclarecer o ocorrido, mas elas não compareceram, por estarem muito abaladas”, explicou.

A ausência das profissionais também dificulta a confirmação de informações sobre os estudantes que estavam no ônibus e sobre a maneira como deixaram o veículo. A secretária afirmou que a pasta ainda aguarda os esclarecimentos de quem estava presente no momento do incêndio.

Além do boletim de ocorrência, a Secretaria pretende instaurar um procedimento administrativo interno para apurar o caso. Também está prevista a solicitação de verificações junto ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) e ao Conselho Estadual de Trânsito (Cetran), incluindo a análise dos procedimentos relacionados à emissão do laudo técnico e à autorização para circulação do ônibus. Uma perícia deverá auxiliar na identificação das causas do incêndio.

Caso sejam constatadas irregularidades em outros veículos, a empresa poderá ser obrigada a substituí-los. Dirce afirmou que o contrato prevê medidas e penalidades em situações de descumprimento das obrigações assumidas.

A secretária também demonstrou preocupação com os possíveis impactos emocionais do episódio sobre as crianças, a motorista, a monitora e seus familiares. Segundo ela, a pasta pretende conversar com os envolvidos e os responsáveis pelos estudantes para avaliar a necessidade de encaminhamento à rede municipal de saúde. “Se não houve dano físico, como foi relatado, um dano na área psicológica e emocional deve ter ocorrido”, observou Dirce.

Relatos publicados nas redes sociais por pais e responsáveis manifestaram preocupação e medo após o incêndio, além de levantarem questionamentos sobre as condições do veículo e a possível existência de problemas anteriores.

Conforme a secretária, a frota que atende o Polo Barragem Sanchuri conta com quatro veículos e transporta aproximadamente 60 crianças. A expectativa da pasta é que o serviço possa ser retomado na próxima semana, mas o prazo dependerá dos resultados das inspeções e da confirmação de que os veículos apresentam condições adequadas de segurança.

A empresa Adimon Transportes Ltda., responsável pelo transporte escolar na região, foi procurada pelo CIDADE, mas não havia se manifestado até o fechamento desta edição.