A bicicleta é um dos meios de transporte mais antigos, acessíveis e sustentáveis do mundo. Atualmente, estima-se que existam mais de 1 bilhão de bicicletas em circulação no planeta, número superior à frota mundial de automóveis. A cada ano, milhões de novas bicicletas chegam às ruas, demonstrando a importância desse meio de transporte para a mobilidade urbana, a saúde e o meio ambiente.
Muitos países incentivam o uso da bicicleta e a sociedade aceita e tem consciência da importância da bicicleta, que além de ser uma atividade física é uma ótima alternativa para o deslocamento. Nos Países Baixos, existem mais bicicletas do que habitantes: são cerca de 23 milhões de bicicletas para aproximadamente 18 milhões de pessoas. Além disso, aproximadamente 27% de todos os deslocamentos diários são realizados por bicicleta. Na Dinamarca, especialmente em Copenhague, mais de 40% das viagens para trabalho e estudo são feitas pedalando. Esses números mostram que, quando há infraestrutura adequada e segurança, a população adere naturalmente à mobilidade ativa.
Infelizmente no Brasil, existem muitos desafios a serem superados. A bicicleta é utilizada por milhões de pessoas diariamente para trabalhar, estudar ou praticar esportes, mas a infraestrutura cicloviária é insuficiente em muitas cidades e em algumas é precária: as ciclovias são interrompidas, falta de manutenção, sinalização adequada e ausência de integração entre os trechos dificultam a circulação segura dos ciclistas.
A situação é mais preocupante quando se analisa os números de acidentes. Entre 2014 e 2024, aproximadamente 15 mil ciclistas perderam a vida no trânsito brasileiro, uma média superior a 1.300 mortes por ano. Além dos óbitos, milhares de pessoas sofrem lesões permanentes, internações e sequelas que afetam sua qualidade de vida e geram impactos econômicos e sociais relevantes.
Observa-se que esses dados poderiam ser diferentes se as normas de trânsito fossem respeitadas. O Código de Trânsito Brasileiro reconhece a bicicleta como veículo e estabelece direitos e deveres para seus condutores. Também determina que os motoristas devem proteger os usuários mais vulneráveis das vias. A legislação prevê, por exemplo, distância lateral mínima de 1,5 metro durante ultrapassagens de ciclistas, medida fundamental para prevenir acidentes graves.
Outro aspecto relevante se refere aos pedestres, que também precisam ter a conscientização. Não é raro encontrar pessoas caminhando em ciclovias ou ciclofaixas, muitas vezes sem perceber os riscos envolvidos. Esses espaços foram planejados para a circulação de bicicletas e seu uso inadequado aumenta as chances de colisões e conflitos.
O Brasil deveria utilizar a experiência internacional, investindo mais em infraestrutura cicloviária que beneficia toda a sociedade. Muitos são os benefícios, as cidades que priorizam a bicicleta registram redução dos congestionamentos, diminuição da poluição atmosférica, melhoria dos indicadores de saúde pública e maior qualidade de vida para seus habitantes. Além disso, o incentivo ao uso da bicicleta contribui para cidades mais inclusivas, acessíveis e sustentáveis.
As ruas e ambientes são de todos, para todos. A segurança do ciclista não é apenas uma questão de trânsito, mas de cidadania, respeito e preservação da vida. Motoristas, ciclistas, pedestres e gestores públicos possuem responsabilidades compartilhadas. Quando cada um cumpre seu papel, e assim as ruas tornam-se mais humanas e seguras.
É muito importante lembrar que o ciclista quando sai de casa, ele não busca privilégios, busca apenas exercer seu direito constitucional de ir e vir com segurança. Garantir esse direito é um compromisso que deve ser assumido por toda a sociedade.


