É muito triste olhar as imagens recentes do terremoto que devastou parte da Venezuela e comoveram o mundo. Prédios destruídos, famílias desalojadas e centenas de vidas perdidas Mais uma vez, a vulnerabilidade humana diante da força da natureza. Embora terremotos sejam fenômenos geológicos decorrentes do movimento das placas tectônicas e não sejam causados diretamente pelas mudanças climáticas, essa tragédia nos convida a uma reflexão mais ampla: estamos preparados para enfrentar desastres cada vez mais frequentes e intensos?
O nosso Planeta Terra, nos últimos anos, eventos recorrentes, como: ondas de calor, secas prolongadas, enchentes históricas, incêndios florestais e tempestades severas. No Brasil, o Rio Grande do Sul conhece bem essa realidade. As enchentes de 2024 marcaram a história do Estado e demonstraram como a combinação entre mudanças climáticas, o fenômeno El Niño, ocupação inadequada do solo e deficiência no planejamento urbano pode transformar um evento natural em uma tragédia humana de grandes proporções.
Neste ano o El Niño, que se caracteriza pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, conforme meteorologistas, irá alterar o regime de chuvas em diversas regiões do planeta. No Sul do Brasil, as precipitações acima da média, aumentarão o risco de enchentes e deslizamentos. Os impactos tornam-se ainda mais severos para populações vulneráveis.
Embora terremotos e enchentes tenham origens distintas, ambos evidenciam um desafio comum: a necessidade de fortalecer a cultura da prevenção. Nenhum país é capaz de impedir um terremoto ou controlar o clima, mas todos podem investir em planejamento, sistemas de alerta, infraestrutura resiliente, educação ambiental, proteção da população e políticas públicas baseadas na ciência.
Algumas medidas são necessárias para a gestão de riscos e para proteger a população, seja por meio da valorização da ciência, do fortalecimento da educação ambiental, investimento em pesquisas e promoção de uma comunicação responsável e atenta aos fenômenos.
As tragédias da Venezuela e do Rio Grande do Sul, deixam uma lição comum: desastres naturais nem sempre podem ser evitados, mas suas consequências podem ser significativamente reduzidas. É indispensável que o poder público assuma seu papel de forma permanente, e não apenas durante a resposta às emergências. Planejamento urbano adequado, fiscalização da ocupação de áreas de risco, investimentos em drenagem, contenção de encostas, monitoramento climático e geológico, sistemas eficientes de alerta precoce, infraestrutura resiliente e planos de evacuação devem integrar as políticas públicas de todos os níveis de governo.
É necessário incorporar a educação para a prevenção nas escolas e nas comunidades, formando cidadãos capazes de reconhecer riscos e agir de forma segura diante de situações de emergência. A integração entre União, Estados, Municípios, universidades, centros de pesquisa e órgãos de defesa civil, aliada ao uso de tecnologias como inteligência artificial, sensoriamento remoto e sistemas de monitoramento em tempo real, pode antecipar riscos, orientar decisões e salvar milhares de vidas.
Um ponto é certo: a natureza continuará cada vez mais, impondo desafios à humanidade. A diferença entre um evento natural e uma catástrofe humanitária está, muitas vezes, na capacidade de planejamento, prevenção e resposta da sociedade. Investir em ciência, educação, sustentabilidade e políticas públicas eficazes não é apenas uma obrigação constitucional do Estado, mas um compromisso ético com a proteção da vida, da dignidade humana e das futuras gerações. Em um mundo marcado pelas mudanças climáticas e por eventos extremos cada vez mais frequentes, prevenir é, sem dúvida, a forma mais inteligente e humana de reconstruir o futuro. Esse é um grande desafio que deveria ser constante dos administradores, dos governos implantando políticas públicas permanentes e não só paliativas.


