Cátia-Liczbinski. Créditos: Arquivo/JC.

Todos os dias milhares de pessoas podem ser ou são vítimas de golpes pelo whatsapp, mídias e até ligações. Todos eles buscam dinheiro, contas e senhas de bancos. Os golpes são tão especializados que a pessoa que aplica sabe seu nome, conhece detalhes da sua vida, usa a fotografia de alguém conhecido e fala com segurança sobre uma oportunidade de investimento, sobre o pagamento de uma conta, um empréstimo por pix. Mas é nesse espaço entre a confiança e a desatenção que os golpes digitais estão crescendo.

Nesta semana, o Rio Grande do Sul voltou a ser notícia por um caso impressionante. Uma aposentada de 70 anos perdeu mais de R$37 milhões em um golpe envolvendo uma falsa plataforma de investimentos. Segundo as investigações da Polícia Civil, ela foi convencida gradualmente a transferir valores para supostos investimentos, em um esquema que utilizava grupos de mensagens, falsas orientações e pessoas que se apresentavam como especialistas. A Operação Criptoabate investiga o caso e já identificou outras possíveis vítimas. (UOL Notícias)

Esse fato demonstra que qualquer pessoa pode ser vítima dos golpes. Os criminosos estudam suas vítimas, constroem confiança e criam situações de urgência, medo ou oportunidade. Pode ser o falso filho que precisa de dinheiro, o banco informando uma suposta movimentação, o funcionário de uma instituição, a promessa de investimento, o link para regularizar um documento ou até uma mensagem aparentemente enviada por um órgão público. O próprio governo já alertou para golpes pelo WhatsApp que utilizam perfis falsos, dados pessoais e páginas fraudulentas para induzir pagamentos e transferências. (Serviços e Informações do Brasil)

Em relação a isso alguns cuidados devem sempre ser observados: não clicar imediatamente em links recebidos; não informar senhas, códigos ou dados bancários; confirmar a identidade de quem está pedindo dinheiro por outro telefone; desconfiar de promessas de lucro fácil; não tomar decisões financeiras pressionado pela urgência; e nunca transferir dinheiro sem verificar antes. Se alguém disser ser seu filho, sua filha, seu banco ou um amigo, desligue e faça você mesmo uma ligação para o número que já possui. Mas, se o golpe acontecer, é preciso comunicar imediatamente o banco ou a instituição envolvida, guardar prints, conversas, números de telefone, links, comprovantes e protocolos de atendimento. Em caso de Pix, solicitar ao banco a contestação da transação e acionar o Mecanismo Especial de Devolução (MED), depois, registrar o boletim de ocorrência.

No Rio Grande do Sul, a vítima pode utilizar a Delegacia de Polícia Online ou procurar uma delegacia presencialmente. A Polícia Civil também esclarece que o 181 é canal para denúncias, inclusive com possibilidade de preservação do sigilo, mas ele não substitui o registro do boletim de ocorrência da vítima. (delegaciaonline.rs.gov.br)
A tecnologia facilita nossa vida, aproxima pessoas e abre novas possibilidades, mas também pode ser usada para enganar e praticar crimes. Na era da inteligência artificial, desconfiar não é paranoia, é proteção. Precisamos estar atentos, questionar, conferir e não agir pela emoção ou pela urgência, pois quando uma mensagem chega pela tela, nem sempre quem fala é quem diz ser.